Por Francielle Cury*
Há quem diga que xadrez é um jogo. Outros dizem que é uma ciência. Ainda tem aqueles que o consideram uma arte. Na realidade ele tem um pouco dos três.
Existem várias histórias associadas à sua criação, a mais famosa delas é a de um jovem indiano chamado Lahur Sessa.
Conta a lenda que um rei de uma província indiana vivia em depressão pela perda de seu filho na guerra. Então Lahur o apresentou um tabuleiro de 64 casas brancas e pretas e diversas peças que representavam personagens de uma guerra, era este o jogo estratégico que mais tarde viria a ser chamado de xadrez.
Lahur explicou ao rei que jogar lhe confortaria. E assim aconteceu. O rei muito agradecido pediu ao jovem que aceitasse uma recompensa, este então pediu uma quantidade de trigo, sendo assim calculada: um trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta e assim sucessivamente até a última casa. Espantado com a humildade de Lahur, o rei ordenou imediatamente que lhe dessem o que foi pedido.
Feito os cálculos, os sábios do reino ficaram assustados com o resultado, pois o número era tão grande que as plantações dos próximos dois mil anos não pagariam ainda o jovem indiano.
O rei, admirado com a sabedoria de Sessa, o convidou para ser o principal vizir do reino, pagando assim sua dívida.
O xadrez é uma derivação de um jogo indiano antigo chamado chaturanga. Neste, as peças tinham nomes e alguns movimentos diferentes, porém todo contexto de estratégia e guerra existente no xadrez, já era encontrado nele.
O primeiro torneio moderno enxadrístico aconteceu em 1851 na cidade de Londres. O campeão foi Adolf Anderssen, que foi considerado então o melhor enxadrista do mundo naquele ano.
Depois disso se tornaram campeões mundiais, jogadores como Paul Morphy, Wilhelm Stenitz, Lasker, Capablanca, Alekhine, Boby Fischer dentre outros. Nomes estes muito conhecidos e aclamados até hoje por enxadristas profissionais.
Um grande nome lembrado até hoje é Gary Kasparov, enxadrista russo, considerado um dos melhores da história, tendo sido campeão mundial por quinze anos consecutivos.
Depois de sua aposentadoria em 2005, tivemos como campeões mundiais Topalov, Kramnik e Anand.
No Brasil temos nomes de referência como os grandes mestres Vescovi, Leitão, Milos, Fier, Darcy Lima, e o grande Henrique Mecking, o nosso Mequinho.
Novos talentos estão surgindo e quanto mais o país investir em xadrez escolar, mais cedo irão aparecer grandes talentos.
ARBITRAGEM
Outra área muito importante do xadrez é a da arbitragem, pois como no futebol, torneios oficiais têm que ter árbitros capacitados pela CBX (Confederação Brasileira de Xadrez). Um nome de grande peso na arbitragem enxadrística é o do árbitro internacional Antonio Bento, que é nascido no Rio de Janeiro e mora em Brasília há muitos anos. Formado em Economia e Ciências Contábeis, Bento é ex-servidor público federal e dirigente do Banco Central do Brasil – BACEN.
Bento, que também é jogador de xadrez, é hoje um dos mais conceituados árbitros do esporte.
Fale um pouco sobre seu começo no xadrez.
Aprendi a jogar xadrez aos 7 anos de idade. Morava na capital do Rio de Janeiro. Meu irmão mais velho, Roberto, ensinou os movimentos das peças e rudimentos de algumas aberturas conhecidas do jogo tais como a Ruy Lopez e as defesas Italiana, Francesa e Siciliana.
Em qualquer partida de futebol tem um árbitro, no xadrez é só em torneios, por quê? Um árbitro não é importante no xadrez?
Bem, isso é uma das curiosidades do jogo de xadrez.
As pessoas adoram jogar; é bem reduzido o número de pessoas que gostam de organizar torneios e ínfimo o grupo dos que se dispõe a arbitrar partidas.
A figura do árbitro é importante em qualquer competição, mas a lei do xadrez é um das poucas que disciplina partidas sem árbitro presente. Isso não seria possível no futebol. Já imaginou uma partida entre Flamengo e Corinthians sem árbitro e bandeirinhas? Seria inimaginável!
Mas, em diversos países, o xadrez é praticado nos clubes sem árbitro presente. Um dos jogadores serve de mediador quando necessário ou quando acontece conflito.
Para ser árbitro é preciso jogar bem o xadrez?
É possível que o ’árbitro-jogador’ tenha menos dificuldades para arbitrar torneios. Além de conhecer as regras do jogo, o ’árbitro-jogador’ tem mais uma vantagem: conhece as "manhas" do jogo. Isso facilita o seu trabalho, por exemplo, para examinar reivindicações de empate feitas com base no art. 10.2 da lei do xadrez.
Todavia, para ser um árbitro de categoria, não é imprescindível que preencha o requisito de ser também um jogador. Para ser um bom árbitro, basta conhecer bem as regras do jogo e as de competição; manter-se atualizado na lei do xadrez e regulamentos de torneios das federações internacional e nacional; ter boa capacidade de julgamento e objetividade: em suma, atuar com bom senso.
Como e por que você se interessou pelo ramo da arbitragem? E qual foi seu caminho até o título de árbitro internacional?
Acredito que a partir de março de 1973, ocasião em que me transferi para Brasília é que me interessei pela arbitragem de competições enxadrísticas.
Organizava, arbitrava e jogava torneios com os meus colegas da Associação dos Servidores do Banco Central – ASBAC/DF.
A partir de 1976, passei a figurar nos quadros da Federação Brasiliense atuando como organizador e árbitro de campeonatos brasilienses.
No início da década de 80, recebi o título de Árbitro Nacional da CBX.
O aperfeiçoamento no campo da arbitragem veio naturalmente com a organização e arbitragem de eventos da CBX.
Em 1990, recebi o título de Árbitro Internacional, no Congresso de Novi Sad, Iugoslávia, atualmente República Sérvia.
A partir daí passei a estudar sistematicamente arbitragem.
Após a aposentadoria pude dispor de tempo suficiente para intensificar ainda mais meus estudos de arbitragem.
Arbitrei a fase final do campeonato mundial que teve como palco a cidade do México (12 a 30/9/2007) atingindo o ápice da minha carreira.
A partir de 2008 faço parte do seleto Conselho de Árbitros da FIDE: "Arbiter’s Council" bem como da Comissão de Qualificação da FIDE América: "Qualification Comission".
Você se entregou inteiramente ao xadrez? Você tem alguma outra atividade profissional desvinculada do esporte?
Trabalhei de 1967 a 2006 no Banco Central do Brasil onde exerci diversos cargos de chefia.
Portanto, até agosto de 2006, o xadrez era apenas um "hobby" na minha vida.
A partir da minha aposentadoria - que ocorreu em agosto de 1996 - pude me dedicar integralmente à prática e arbitragem do jogo de xadrez; em 2005 retornei à diretoria da Confederação Brasileira de Xadrez; estou exercendo atualmente o cargo de Vice Presidente Técnico da CBX com mandato até 31.12.2012.
A economia te ajudou no xadrez ou vice-versa?
A minha atividade como servidor público do Banco Central foi fundamental como meio de sustento.
A experiência como chefe de divisão e de departamento do Banco Central foi muito útil para exercer cargos de direção na Federação Brasiliense - FBX e na Confederação Brasileira de Xadrez - CBX.
A prática de jogador de xadrez também me auxiliou muito nas minhas funções no Banco Central e no curso superior.
Ingressei tanto na Universidade quanto no Banco Central no primeiro vestibular e primeiro concurso, respectivamente. A arte de caíssa, como também é conhecido o xadrez, desenvolve habilidades que ajudam o indivíduo a melhorar desempenho tanto nas atividades acadêmicas quanto nas atividades profissionais. É uma ferramenta pedagógica poderosíssima.
Quais suas expectativas para esse ano, como árbitro e até como jogador?
Sou um jogador detentor de rating FIDE, mas inativo devido às minhas atividades como dirigente e árbitro.
Fui convidado para arbitrar o Zonal Sulamericano M/F (Zona 2.4, com jogadores do Brasil, Peru e Bolívia), que terá como palco a capital do Rio de Janeiro, no período de 8 a 18 de junho deste ano.
Em julho deste ano entrará em vigor a lei do xadrez aprovada no Congresso de Dresden/Alemanha. Então, neste ano deverei ministrar palestras e cursos (sobretudo de reciclagem) dirigidas a um público alvo: jogadores, organizadores e árbitros do esporte xadrez.
Qual a sua visão sobre o xadrez no Brasil em relação a outros países?
No xadrez competitivo, o Brasil ocupou na Olimpíada de Turim, realizada em 2006, no emparceiramento inicial, a 26ª posição, considerando-se o rating médio (2573) dos nossos Grandes Mestres.
É uma boa posição tendo em conta que há mais de 160 países filiados à FIDE.
Na América Latina, ainda considerando o rating médio dos "top 6", o Brasil somente é superado por Cuba.
Sem dúvida há algumas estrelas individuais que podem obter boas colocações nos Campeonatos Panamericanos e Sul Americanos. No xadrez sub-12 no ano de 2008, o grande astro foi o jovem Victor Shumyatsky, de Brasília, que obteve medalha de ouro tanto no panamericano quanto no sulamericano.
Fecho da entrevista:
Não há dúvida que a prática e estudo do xadrez pode desenvolver habilidades contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento das capacidades intelectuais.
Espero que neste ano de 2009, haja uma ampliação da salutar prática do xadrez nas escolas, nas universidades, nos clubes, nas praças, nos shoppings e parques de todo o Brasil.
Mesmo que fora da mídia, o xadrez está cada vez mais atraindo jogadores, principalmente jovens. É o resultado do projeto de sua inclusão na grade curricular. Em outros países isso já acontece, e resultados incríveis estão sendo obtidos. O xadrez escolar de países como a Argentina, Venezuela dentre outros, estão crescendo exponencialmente. Os resultados podem ser vistos em campeonatos como sul-americano e pan-americano escolar, onde esses países têm conseguido resultados surpreendentes.
No Brasil, não são em todos os estados que essa inclusão na grade curricular é eficiente. Em estados como Paraná e Santa Catarina isso já acontece, e com bons resultados.
Em Minas, uma das cidades pioneiras com o projeto de xadrez nas escolas é São Sebastião do Paraíso, celeiro de campeões.
Nota da redação: a autora Francielle Cury é mineira e atualmente reside em Brasília, onde faz faculdade de jornalismo e integra a Assessoria de Comunicação Junior Achievement - DF (www.jadf.org.br). Iniciou no xadrez ainda muito muito jovem, colecionando títulos mineiros de categorias menores e nacionais (escolar e de xadrez rápido). Tomou parte também de várias edições dos Jogos Regionais e Abertos de São Paulo. Em 2002 disputou os Jogos Sulamericanos Escolares no Chile, convocada pela CBX e Ministério do Esporte. Francielle pertece à primeira geração de atletas campeões formados pela Casa do Xadrez, de Belo Horizonte, cujo responsável pelas aulas é o renomado treinador Julio Lapertosa. O sucesso de Fran - como carinhosamente é chamada - nos tabuleiros também se deve ao constante apoio dos pais, seus grandes incentivadores.
Há quem diga que xadrez é um jogo. Outros dizem que é uma ciência. Ainda tem aqueles que o consideram uma arte. Na realidade ele tem um pouco dos três. Existem várias histórias associadas à sua criação, a mais famosa delas é a de um jovem indiano chamado Lahur Sessa.
Conta a lenda que um rei de uma província indiana vivia em depressão pela perda de seu filho na guerra. Então Lahur o apresentou um tabuleiro de 64 casas brancas e pretas e diversas peças que representavam personagens de uma guerra, era este o jogo estratégico que mais tarde viria a ser chamado de xadrez.
Lahur explicou ao rei que jogar lhe confortaria. E assim aconteceu. O rei muito agradecido pediu ao jovem que aceitasse uma recompensa, este então pediu uma quantidade de trigo, sendo assim calculada: um trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta e assim sucessivamente até a última casa. Espantado com a humildade de Lahur, o rei ordenou imediatamente que lhe dessem o que foi pedido.
Feito os cálculos, os sábios do reino ficaram assustados com o resultado, pois o número era tão grande que as plantações dos próximos dois mil anos não pagariam ainda o jovem indiano.
O rei, admirado com a sabedoria de Sessa, o convidou para ser o principal vizir do reino, pagando assim sua dívida.
O xadrez é uma derivação de um jogo indiano antigo chamado chaturanga. Neste, as peças tinham nomes e alguns movimentos diferentes, porém todo contexto de estratégia e guerra existente no xadrez, já era encontrado nele.
O primeiro torneio moderno enxadrístico aconteceu em 1851 na cidade de Londres. O campeão foi Adolf Anderssen, que foi considerado então o melhor enxadrista do mundo naquele ano.
Depois disso se tornaram campeões mundiais, jogadores como Paul Morphy, Wilhelm Stenitz, Lasker, Capablanca, Alekhine, Boby Fischer dentre outros. Nomes estes muito conhecidos e aclamados até hoje por enxadristas profissionais.
Um grande nome lembrado até hoje é Gary Kasparov, enxadrista russo, considerado um dos melhores da história, tendo sido campeão mundial por quinze anos consecutivos.
Depois de sua aposentadoria em 2005, tivemos como campeões mundiais Topalov, Kramnik e Anand.
No Brasil temos nomes de referência como os grandes mestres Vescovi, Leitão, Milos, Fier, Darcy Lima, e o grande Henrique Mecking, o nosso Mequinho.
Novos talentos estão surgindo e quanto mais o país investir em xadrez escolar, mais cedo irão aparecer grandes talentos.
ARBITRAGEM
Outra área muito importante do xadrez é a da arbitragem, pois como no futebol, torneios oficiais têm que ter árbitros capacitados pela CBX (Confederação Brasileira de Xadrez). Um nome de grande peso na arbitragem enxadrística é o do árbitro internacional Antonio Bento, que é nascido no Rio de Janeiro e mora em Brasília há muitos anos. Formado em Economia e Ciências Contábeis, Bento é ex-servidor público federal e dirigente do Banco Central do Brasil – BACEN.
Bento, que também é jogador de xadrez, é hoje um dos mais conceituados árbitros do esporte.
Fale um pouco sobre seu começo no xadrez.
Aprendi a jogar xadrez aos 7 anos de idade. Morava na capital do Rio de Janeiro. Meu irmão mais velho, Roberto, ensinou os movimentos das peças e rudimentos de algumas aberturas conhecidas do jogo tais como a Ruy Lopez e as defesas Italiana, Francesa e Siciliana.
Em qualquer partida de futebol tem um árbitro, no xadrez é só em torneios, por quê? Um árbitro não é importante no xadrez?
Bem, isso é uma das curiosidades do jogo de xadrez.
As pessoas adoram jogar; é bem reduzido o número de pessoas que gostam de organizar torneios e ínfimo o grupo dos que se dispõe a arbitrar partidas.
A figura do árbitro é importante em qualquer competição, mas a lei do xadrez é um das poucas que disciplina partidas sem árbitro presente. Isso não seria possível no futebol. Já imaginou uma partida entre Flamengo e Corinthians sem árbitro e bandeirinhas? Seria inimaginável!
Mas, em diversos países, o xadrez é praticado nos clubes sem árbitro presente. Um dos jogadores serve de mediador quando necessário ou quando acontece conflito.
Para ser árbitro é preciso jogar bem o xadrez?
É possível que o ’árbitro-jogador’ tenha menos dificuldades para arbitrar torneios. Além de conhecer as regras do jogo, o ’árbitro-jogador’ tem mais uma vantagem: conhece as "manhas" do jogo. Isso facilita o seu trabalho, por exemplo, para examinar reivindicações de empate feitas com base no art. 10.2 da lei do xadrez.
Todavia, para ser um árbitro de categoria, não é imprescindível que preencha o requisito de ser também um jogador. Para ser um bom árbitro, basta conhecer bem as regras do jogo e as de competição; manter-se atualizado na lei do xadrez e regulamentos de torneios das federações internacional e nacional; ter boa capacidade de julgamento e objetividade: em suma, atuar com bom senso.
Como e por que você se interessou pelo ramo da arbitragem? E qual foi seu caminho até o título de árbitro internacional?
Acredito que a partir de março de 1973, ocasião em que me transferi para Brasília é que me interessei pela arbitragem de competições enxadrísticas.
Organizava, arbitrava e jogava torneios com os meus colegas da Associação dos Servidores do Banco Central – ASBAC/DF.
A partir de 1976, passei a figurar nos quadros da Federação Brasiliense atuando como organizador e árbitro de campeonatos brasilienses.
No início da década de 80, recebi o título de Árbitro Nacional da CBX.
O aperfeiçoamento no campo da arbitragem veio naturalmente com a organização e arbitragem de eventos da CBX.
Em 1990, recebi o título de Árbitro Internacional, no Congresso de Novi Sad, Iugoslávia, atualmente República Sérvia.
A partir daí passei a estudar sistematicamente arbitragem.
Após a aposentadoria pude dispor de tempo suficiente para intensificar ainda mais meus estudos de arbitragem.
Arbitrei a fase final do campeonato mundial que teve como palco a cidade do México (12 a 30/9/2007) atingindo o ápice da minha carreira.
A partir de 2008 faço parte do seleto Conselho de Árbitros da FIDE: "Arbiter’s Council" bem como da Comissão de Qualificação da FIDE América: "Qualification Comission".
Você se entregou inteiramente ao xadrez? Você tem alguma outra atividade profissional desvinculada do esporte?
Trabalhei de 1967 a 2006 no Banco Central do Brasil onde exerci diversos cargos de chefia.
Portanto, até agosto de 2006, o xadrez era apenas um "hobby" na minha vida.
A partir da minha aposentadoria - que ocorreu em agosto de 1996 - pude me dedicar integralmente à prática e arbitragem do jogo de xadrez; em 2005 retornei à diretoria da Confederação Brasileira de Xadrez; estou exercendo atualmente o cargo de Vice Presidente Técnico da CBX com mandato até 31.12.2012.
A economia te ajudou no xadrez ou vice-versa?
A minha atividade como servidor público do Banco Central foi fundamental como meio de sustento.
A experiência como chefe de divisão e de departamento do Banco Central foi muito útil para exercer cargos de direção na Federação Brasiliense - FBX e na Confederação Brasileira de Xadrez - CBX.
A prática de jogador de xadrez também me auxiliou muito nas minhas funções no Banco Central e no curso superior.
Ingressei tanto na Universidade quanto no Banco Central no primeiro vestibular e primeiro concurso, respectivamente. A arte de caíssa, como também é conhecido o xadrez, desenvolve habilidades que ajudam o indivíduo a melhorar desempenho tanto nas atividades acadêmicas quanto nas atividades profissionais. É uma ferramenta pedagógica poderosíssima.
Quais suas expectativas para esse ano, como árbitro e até como jogador?
Sou um jogador detentor de rating FIDE, mas inativo devido às minhas atividades como dirigente e árbitro.
Fui convidado para arbitrar o Zonal Sulamericano M/F (Zona 2.4, com jogadores do Brasil, Peru e Bolívia), que terá como palco a capital do Rio de Janeiro, no período de 8 a 18 de junho deste ano.
Em julho deste ano entrará em vigor a lei do xadrez aprovada no Congresso de Dresden/Alemanha. Então, neste ano deverei ministrar palestras e cursos (sobretudo de reciclagem) dirigidas a um público alvo: jogadores, organizadores e árbitros do esporte xadrez.
Qual a sua visão sobre o xadrez no Brasil em relação a outros países?
No xadrez competitivo, o Brasil ocupou na Olimpíada de Turim, realizada em 2006, no emparceiramento inicial, a 26ª posição, considerando-se o rating médio (2573) dos nossos Grandes Mestres.
É uma boa posição tendo em conta que há mais de 160 países filiados à FIDE.
Na América Latina, ainda considerando o rating médio dos "top 6", o Brasil somente é superado por Cuba.
Sem dúvida há algumas estrelas individuais que podem obter boas colocações nos Campeonatos Panamericanos e Sul Americanos. No xadrez sub-12 no ano de 2008, o grande astro foi o jovem Victor Shumyatsky, de Brasília, que obteve medalha de ouro tanto no panamericano quanto no sulamericano.
Fecho da entrevista:
Não há dúvida que a prática e estudo do xadrez pode desenvolver habilidades contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento das capacidades intelectuais.
Espero que neste ano de 2009, haja uma ampliação da salutar prática do xadrez nas escolas, nas universidades, nos clubes, nas praças, nos shoppings e parques de todo o Brasil.
Mesmo que fora da mídia, o xadrez está cada vez mais atraindo jogadores, principalmente jovens. É o resultado do projeto de sua inclusão na grade curricular. Em outros países isso já acontece, e resultados incríveis estão sendo obtidos. O xadrez escolar de países como a Argentina, Venezuela dentre outros, estão crescendo exponencialmente. Os resultados podem ser vistos em campeonatos como sul-americano e pan-americano escolar, onde esses países têm conseguido resultados surpreendentes.
No Brasil, não são em todos os estados que essa inclusão na grade curricular é eficiente. Em estados como Paraná e Santa Catarina isso já acontece, e com bons resultados.
Em Minas, uma das cidades pioneiras com o projeto de xadrez nas escolas é São Sebastião do Paraíso, celeiro de campeões.
Nota da redação: a autora Francielle Cury é mineira e atualmente reside em Brasília, onde faz faculdade de jornalismo e integra a Assessoria de Comunicação Junior Achievement - DF (www.jadf.org.br). Iniciou no xadrez ainda muito muito jovem, colecionando títulos mineiros de categorias menores e nacionais (escolar e de xadrez rápido). Tomou parte também de várias edições dos Jogos Regionais e Abertos de São Paulo. Em 2002 disputou os Jogos Sulamericanos Escolares no Chile, convocada pela CBX e Ministério do Esporte. Francielle pertece à primeira geração de atletas campeões formados pela Casa do Xadrez, de Belo Horizonte, cujo responsável pelas aulas é o renomado treinador Julio Lapertosa. O sucesso de Fran - como carinhosamente é chamada - nos tabuleiros também se deve ao constante apoio dos pais, seus grandes incentivadores.
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