Lição 23

Prof. Erich Gonzalez

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Prezados irmãos enxadristas. Minhas saudações e respeitos a todos. Agradeço-lhes por seu afeto, carinho e regozijo por estas lições que transcrevo em prol da aquisição do conhecimento do xadrez, causas que me motivam a continuar com as mesmas. 

LIÇÃO 23 - A TROCA DE TORRE E DOIS PEÕES POR DOIS BISPOS 

Hoje vamos ver um assunto que muitas vezes vocês se terão perguntado e quero que o aclaremos definitivamente. Refiro-se à troca de uma torre por duas peças menores (Bispo e Cavalo). Dito estritamente, TOMAR UMA TORRE A CUSTA DE UM BISPO E DE UM CAVALO, "NÃO É NEGÓCIO". Porém, a coisa é mais difícil de saber quando entram em cena os peões. Já não é uma troca simples porque os peões podem logo pesar na balança. Valem mais uma torre e dois peões que um bispo e um cavalo? Se fizéssemos o balanço "matemático" que figura em certos livros que andam por aí, teríamos (segundo eles): o cavalo vale 2 e o bispo 3, ou seja 5 pontos, e, como à torre lhe adjudicam outros 5 pontos, pareceria que ficaria igual. Porém, isto é só aparência. OS NÚMEROS SÃO RELATIVOS NO XADREZ, NÃO SE PODE APLICÁ-LOS COM JUSTIÇA. Por exemplo: segundo esses livros, cada peão vale 1 e com 5 da torre são 7 pontos; enquanto que bispo e cavalo somam 5, outros dizem que 6; pelo que resultaria um grande negócio para quem entregasse as duas peças menores. 

Precisamente, eu tendo a demonstrar o contrário. Para mim, DOIS BISPOS OU DOIS CAVALOS SÃO MELHORES QUE UMA TORRE E DOIS PEÕES. Isto dito sem números. Veremos tudo isso na partida que lhes trago, onde quem entrega as peças menores (neste caso, dois bispos) acaba com os dois peões a mais (?) na melhor posição que se possa pedir: são centrais, estão unidos e passados! E, entretanto, não compensam a entrega dessas duas "pecinhas". Foi jogada entre Spielman, jogador muito "combinador" e Colle , grande Mestre Belga. 

 

Defesa Nimzowitsch 

BRANCAS: SPIELMAN 

NEGRAS: COLLE

1. d4 Cf6 2. c4 e6 3. Cc3 Bb4

Está caracterizada a defesa Nimzowitsch, que já conhecemos. Para mim, a jogada Bb4 é relativamente duvidosa. Com 4.a3, o branco obrigará a trocar esse bispo pelo cavalo, o que não é vantajoso. Também se pode continuar com a jogada de Capabranca 4.Dc2, ao que as negras contestariam d5. Ou se pode fazer como nesta partida:

4. Db3

Com Db3 ameaça o bispo, porém não obriga a troca pelo cavalo, porque agora vem:

4... c5

( Sustenta o bispo.)

5. dxc5 Cc6

Além disso, agora está ameaçando uma cilada fácil de ver. Trata-se de jogar depois 6....Cd4 e se 7.Dxb4 segue Cc2+ duplo, ganhando a dama. É conveniente, como medida de prevenção, proibir esse salto ao cavalo dama e pode-se jogar 6.e3, porém é mais elástico Cf3, já que desenvolve uma peça. [5... Ca6 com a intenção de logo tomar esse peão com o cavalo, porém isso não tem maior importância.]

6. Cf3 Ce4

Já analisamos na lição passada esta idéia de levar, nos primeiros movimentos, o cavalo rei ao ataque. Repetiremos que isso debilita o possível roque curto e, portanto, não pode ser muito bom. Bem, é necessário diminuir a pressão que existe sobre o cavalo branco de c3 (que inclusive poderia aumentar com a dama negra em a5), e para isso não resta mais remédio que fazer 7.Bd2. Se não o fizesse, seguiria 6....Cxc3 e depois de 7. bxc3 ficariam três peões brancos dobrados na mesma coluna, ou seja, 3 peões fracos.

7. Bd2 Cxd2

Colle optou pela jogada mais simples: tomar o bispo porque, do contrário, poderia seguir Cxe4, etc. Isso era o que se jogava por aqueles anos, baseado em que o cavalo vale menos que o bispo e o melhor era fazer a troca rapidamente. Depois, o mesmo Nimzovitsch, criador da Defesa, introduziu uma variante: 7....Cxc5 atacando a dama e complicando as coisas.

8. Cxd2 f5

Sabemos que este avanço é mau, porém a posição o exige. Sabemos que debilita o possível roque das negras, que já está sem seu cavalo defensor em f6, porém era necessário porque as brancas teriam podido defender seu peão de c5 com 9.Ce4, que também desde ali ameaçaria um xeque em d6, destruindo o roque. Além disso, o peão em f5 corta a diagonal para quando o bispo rei branco vá a d3. Agora as brancas jogam tranqüilas, preparando seu roque.

9. e3 Bxc5

Recupera seu peão e fica com os dois bispos. Veremos se isso é suficiente. A propósito de "ficar com os dois bispos", vamos fazer uma digressão. Vocês me terão ouvido dizer muitas vezes que: É CONVENIENTE FICAR COM OS DOIS BISPOS E NÃO COM OS DOIS CAVALOS. Porém eu tenho visto caso de aficionados que ficaram com os dois bispos no tabuleiro e ficaram dando voltas com eles sem saber o que fazer, até que o outro lhes pega com um duplo de cavalo e ganha. HÁ QUE TER DOIS BISPOS, PORÉM HÁ QUE SABER USÁ-LOS. Seria o mesmo que dar-lhe uma arma a quem não sabe manejá-la. FICAR COM OS DOIS BISPOS INDICA UM POUCO DE SUPERIORIDADE, PORÉM HÁ QUE SABER USÁ-LOS. Ainda que um jogador fique com uma torre a mais, se essa peça não "trabalha", se está travada, pode perder. Sigamos:

10. Be2

A mais lógica. Prepara o roque e talvez jogue este bispo a f3. Porém há outra razão mais profunda. Tendo as negras um peão em d7, outro em e6 e outro em f5, significa que seu bispo dama não poderá sair por essa diagonal e, então, deverá fazê-lo por fiancheto. E quando isto ocorra, o melhor será opor-lhe o bispo branco desde f3.

10... O-O

O negro " mostrou suas cartas". Há uma coisa característica no jogo de Spielman, que colocava em prática em quase todas suas partidas: Espera o roque do contrário e, se este faz roque pequeno, responde em seguida com o roque grande. A razão é que, dessa maneira, poderá levar um ataque de peões no flanco rei, sem expor seu monarca. Era um jogador combinador e lhe agradava atacar. Por isso esperava que o rival "mostrasse as cartas" para começar um ataque onde o outro ponha o rei. Claro que na posição desta partida é conveniente o roque grande porque a torre se coloca na coluna de dama sem perder tempo, e pressiona a dama negra, que está na outra ponta. Além disso, todas as peças "defensivas" estão no flanco dama, enquanto que as peças "ofensivas" apontam para o rei. Aqui, logicamente, as brancas devem rocar grande, porém nem sempre é bom esse roque. Ainda nesta posição, para um jogador que queira empatar é melhor o roque curto.

11. O-O-O! b6

Prepara a saída do bispo de c8.

12. Cf3

Com idéia de levá-lo possivelmente a d4 e, se as negras não quiseram trocar Cxd4, seguiria Cxe6, aproveitando que o peão de d7 está cravado sobre a dama. As negras tratam de minar o roque grande.

12... Ba6

Atacam o peão adiantado.

13. Td2

Prepara para dobrar as torres.

13... De7

Talvez não seja esta uma boa colocação para a dama, porém convenhamos que se a levasse a c7 poderia vir um salto de cavalo a b5 e teria que sair dali ou trocar Bxb5, com o que perderia a vantagem de seus dois bispos.

14. Thd1 Tad8

Defende seu peão de d7.

15. a3

As brancas vislumbraram "algo". Trata-se de ganhar uma peça. Como? Aproveitando a má colocação do bispo negro em c5, que quase não tem retirada. Suponhamos que as negras contestassem agora com algo indiferente, Spielman seguiria 16.Da2, para logo fazer 17.b4 e se o bispo se retira a d6 está perdido; porém, ainda supondo que as negras na jogada anterior tivessem aberto um caminho a esse bispo movendo sua dama, todavia ficaria o avanço de 18.b5, ganhando uma peça. Aqui é quando Colle começa a acariciar a má idéia de trocar duas peças menores por uma torre e dois peões. Qual vale mais? Observemos que o negro tem uma quantidade muito grande de peças sobre o rei. Ocorre a Colle valorizar a coluna bispo rei (f), onde tem uma torre instalada. Para isso jogará 15....f4, pensando que se o branco não toma pode fazer 16....fxe3 e a 17.fxe3 poderia tirar a dama da terceira linha com a combinação que já veremos, para logo jogar Bxe3 cravando a torre sobre o rei e ganhando-a. E se as brancas tomam o peão vem, mais ou menos, o mesmo. Porém o avanço do peão de f5 a f4 pelo negro tem pouca importância porque deixa sem controle uma casa (e4), onde se instalará um cavalo. Vejamos o que ocorreu.

15... f4 16. Ce4

Neste momento, pode-se dizer que esse cavalo está centralizado porque não poderá ser expulso com 16....d5, devido a 17.cxd5. E se exd5 é seguro que este peão cai, pois encontra-se entre as duas torres e a dama branca (que está colocada na mesma diagonal onde se encontra o rei contrário). De momento, o cavalo em e4 está muito bem. Bom, ante a ameaça de 17.Da2 para logo jogar 18.b4 e 19.b5, as negras "entram" pela má idéia de trocar seus dois bispos por uma torre e dois peões. Já disse, no início, que isso "não é negócio" ENTRETANTO, SE FOSSEM DUAS PEÇAS MENORES POR UMA TORRE E TRÊS PEÕES PODE SER QUE FOSSE FAVORÁVEL PARA O NEGRO. É, pois, uma combinação falsa a que agora faz Colle.

16... fxe3 17. fxe3 Bxc4 18. Bxc4

Se se responde [18. Dxc4 sai essa dama da terceira linha, e então viria 18... Bxe3]

18... Ca5

Este era o "golpe" que as negras se reservavam para conseguir seu objetivo. Não resta mais que:

19. Dd3 Cxc4 20. Dxc4 Bxe3 21. Dd3 Bxd2+ 22. Txd2

O negro acredita que, com isto, destruiu todas as defesas do roque grande e ainda tem (para quando seja oportuno) Tc8+, etc. Porém façamos um balanço sereno. Há 4 peões brancos contra 6 peões negros; os dois rivais conservam suas damas; o branco tem só uma torre e o negro duas, porém, em compensação por isso e pelos dois peões de diferença, as brancas conservam seus dois cavalos. Além disso, observemos que esses dois peões a mais que o negro tem são centrais, estão unidos e são "passados" porque não há outros peões que se lhe possam opor no caminho de sua coroação. Acrescentemos que o branco não conserva bispos, senão cavalos, que em posições abertas (como esta) valem menos que os bispos. Quero dizer que a troca foi feita com o máximo de vantagens que se possa pedir para as negras. E, entretanto, tudo isso não compensa as duas peças menores entregues... Logo comprovaremos esta verdade. Adiante as brancas estão ameaçando 23.Ce4-g5, para buscar um mate com Dh7++. É necessário cortar essa ameaça, ainda a custa de outra debilidade do roque, que por agora não poderá ser aproveitada.

22... h6

E agora? O que o branco pode fazer? Tudo está mais ou menos bem defendido e não se vê a forma de ganhar. Nestes casos, há que começar pelo princípio. Qual é a "arma" mais valiosa que tem as negras? Indubitavelmente seus dois peões centrais, que poderiam começar a caminhar até chegar à oitava casa. E o que se pode fazer contra eles, já que estão bem defendidos? O que Nimzovitsch chama "o bloqueio". QUANDO O RIVAL TEM UM BALUARTE DE PEÕES "PASSADOS", O MELHOR É BLOQUEÁ-LOS, IMPEDIR QUE AVANCEM. Para isso, deve-se colocar alguma peça diante desses peões. Assim procedeu Spielman.

23. Cd6

Este cavalo está apoiado por Dama e Torre e nenhum peão pode expulsá-lo dali; "ninguém toca nele". Além disso, corta uma diagonal por onde poderia jogar a Dama negra e impede o xeque com Tc8.

23... Df6

Depois disso, as brancas estão na obrigação de atacar para decidir a partida. Porém, quando se chega a uma posição de bloqueio como esta, o que se deve buscar antes de qualquer coisa? A PRÁTICA E A EXPERIÊNCIA ACONSELHAM QUE QUANDO SE TEM UMA POSIÇÃO GANHADORA, ANTES DE LANÇARMO-NOS AO ATAQUE, HÁ QUE COMEÇAR POR COLOCAR NOSSO REI EM SEGURANÇA. De tanto receber mates, aprende-se estas coisas. Por enquanto, não há nenhum xeque em vista (que possa servir para algo), porém a experiência diz que convém jogar 24.Rb1 e logo Ra2 para estar tranqüilos. Já vi muitos jogadores que, estando em posição melhor, pensaram: -- "Já o tenho frito!". Largaram-se a atacar e, por ali, deram-lhes um xeque e lhes ganharam.

24. Rb1 Tb8

Coloca a Torre na mesma coluna do Rei
.


25. Ra2 Df4 26. Db5

O lance da partida é o início de uma manobra engenhosa: ataca o peão de d7 para que Colle tire a torre da linha aberta do bispo rei , com o objetivo de levar a dama ao flanco rei. As negras estão obrigadas a defender esse peão de d7 porque, se o perdem, já terão perdido tudo. [26. Dg6 porém as negras teriram respondido 26... Tf6 e, se para mantener a pressão, jogasse 27. Dh5 seguiria 27... g6 e a dama não teria boas retiradas, enquanto que a torre em f6 serviria magnificamente para a defesa do roque negro.]

26... Tfd8 27. Dh5

Esta é uma jogada psicológica porque as negras poderiam agora retornar com sua torre para a casa f8. Porém, QUANDO TENHA MOVIDO UMA PEÇA, É DIFÍCIL QUE O JOGADOR A FAÇA VOLTAR A SUA POSIÇÃO PORQUE PENSA QUE PERDE UM TEMPO E PREFERE BUSCAR OUTRA JOGADA. Colle optou por fazer uma cilada infantil.

27... b5

Parece que entrega esse peão, que está atacado pelo cavalo e pela dama.

28. Td4

Trata de levar suas peças ao flanco rei. O branco tem três peças móveis e é mais fácil que possa levar um ataque ao roque contrário e não que as negras tenham êxito em um ataque ao rei branco. [28. Cxb5 Dc4+ E ganha o cavalo.]

28... Df6

Segue na defesa; e até poderia continuar o avanço do peão de b5 para usar a ação combinada da torre e da dama para pressionar o peão de b2 branco. As brancas continuam o "bloqueio" e centralizam outro cavalo, que pode ajudar a decidir a luta.

29. Ce5 b4

A posição das negras é ruim e está se tornando pior. O lance que acaba de fazer é o que chamamos "jogada de desespero". Porque é triste estar assim, sem poder mover nada. Os dois cavalos brancos bloqueiam tudo; cada um deles toma oito casas a seu redor, e já não resta mais que "tirar-se lances". O de agora é para o caso de as brancas não tomarem esse peão e jogarem qualquer coisa; então viria 30..... bxa3 e a 31.bxa3, Df2+ ganhando uma torre, etc. As brancas replicaram com o mais simples: tomaram o peão, com o que põem outro obstáculo na coluna do cavalo dama (coluna b).

30. axb4 Tb6

Procura um xeque com a torre em a6, porém é um plano destinado ao fracasso. Spielman vê que se pudesse por sua torre na coluna bispo rei (coluna f) a dama negra não teria boa saída e que, logo, poderia entrar com cavalo ou torre na sétima linha, o que seria decisivo, e o prepara com:

31. g3 Tf8

Defende-se;

32. Tf4

Essa ameaça é de mate. Reconhecendo assim, as negras "tiram o último lance da temporada". Fazem uma troca desvantajosa porque entregam a dama por uma torre e um cavalo.

32... Dxf4

E se responde [32... De7 seguiria 33. Cg6 E a 33... Dxd6 34. Txf8+ Dxf8 Se [34... Rh7 35. Th8#] 35. Cxf8 Rxf8 etc.] [32... Dd8 segue 33. Cdf7 Se move a dama negra (suponhamos a c8) 33... Dc8 segue 34. Dg6 ameaçando 35.Cxh6+ Rh8 etc.]

33. gxf4 Txd6

Já disse que esta troca não é vantajosa. Claro que o negro fica com duas torres, que valem um pouco mais que a dama, porém o branco tem um cavalo de "napa". Agora, as brancas continuam ameaçando tomar pontos fracos do rival, que seria efetivo entrando com a dama na casa b7.

34. Df3 Td5

Corta essa diagonal e, de passagem, "tira outro lance". Estando a dama branca na mesma coluna da torre em f8, caso agora fizessem algo indiferente, poderia-se jogar 35....Txe5, ganhando o cavalo. É uma ameaça inocente, a dama branca sai dessa situação e ameaça diretamente o peão de a7.

35. De3 a6

Com isso não soluciona nada. Se a dama entra na casa a7, seguramente um dos dois peões ameaçados cairá. Spielman jogou:

36. Da7

E as negras abandonam. Suponhamos que o negro se resignasse a perder um desses peões e respondesse..

36... Txf4

Seguiria

37. Cxd7

Como as negras não tem outra coisa a fazer, não lhes resta mais que o lance de cravar esse cavalo com:

37... Tf7

Porém, segue

38. Da8+ Rh7

Única
.


39. Cf8+

E, caso não sacrifique a torre, o rei deve voltar a sua casa (g8 ou h8). Então 40.Cxe6+ descoberto, com a que se tira o único apoio da torre de d5, que poderia ser capturada, perdendo a partida. 

CONCLUSÃO: 

Vocês viram como, apesar dos dois peões que as negras tomaram junto com a torre, não ficou compensada a perda das duas peças menores. Quer dizer que: DOIS BISPOS OU DOIS CAVALOS, OU UM CAVALO E UM BISPO, VALEM MAIS DO QUE UMA TORRE E DOIS PEÕES. Precisamente a pior forma para ganhar este tipo de partida seria esta que vimos porque o branco ficou com dois cavalos em troca por torre e dois peões. Com mais razão, teriam ganho caso se tivesse ficado com os dois bispos. 

Prezados leitores, finalizamos esta lição bastante instrutiva. Espero as correções e recomendações de parte de vocês. Minhas saudações a todos em nome de meu país e, como praticante das idéias de nosso ilustre Libertador, Simon Bolívar, e da Revolução Bolivariana da Venezuela, trago-lhes a continuação de sua Biografia. 

Os Bolivar-Palacios, famílias estabelecidas desde várias gerações em solo americano, pertenciam à elevada e poderosa classe social dos "mantuanos", que, dentro da Província, tinham a primazia em tudo, exceto o pleno poder político. Simon veio ao mundo "em berço de ouro" e, além disso, em pouco tempo, um parente seu, Juan Felix Jerez-Aristiguieta e Bolívar, instituiu em seu favor um rico patrimônio, chamado "Vinculo da Concepção". Simon, cuja mãe não podia amamentá-lo, teve por ama de leite uma vitalmente robusta e sã escrava da família, a negra Hipolita. Esta não só saciou com seu leite o apetite do menino (substituindo a uma amiga de dona Concepção, a dama cubana Ines Mancebo de Miyares, que o alimentou uns dias) senão que se ocupou logo dele quando já estava mais crescido, sobretudo depois da morte do coronel Bolivar, ocorrida quando Simon tinha apenas dois anos e meio. Junto com sua veneração por dona Concepção, sua "boa mãe", e o carinho a dona Ines, Bolivar guardou sempre em seu peito um sentimento de afeto, gratidão e respeito pela escrava que em sua terna infância lhe serviu de guia e cumpriu com as funções de um pai, depois de ter sido sua ama de leite. (Continuará)

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Prof. Erich Gonzalez 
e-mail: edgonzal@luz.ve 

TRANSCRIÇÃO Pelo Professor ERICH GONZALEZ, na Cidade de Maracaibo, Estado Zulia, Venezuela, das lições DO Dr RAFAEL BENSADON, EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA. 

Tradução: E. Muniz