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Lição 25

Prof. Erich Gonzalez

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Minhas saudações e os mais sinceros agradecimentos de todo coração a todos aqueles que, dia à dia, seguem o desenvolvimento destas excelentes lições do Dr. Besadon. Vai também meu agradecimento a esta excelente página, sem a ajuda da qual seria difícil que estas lições cumprissem seu objetivo. E um pequeno conselho para vocês: Para ter êxito, há que viver pensando e atuando grande, sem se deixar levar pela fantasia. Sejamos grandes no Xadrez. Colaboremos com sua difusão. 

LIÇÃO 25 - A TROCA DE UMA TORRE POR BISPO E CAVALO 

Hoje vamos considerar um caso distinto do que lhes mostrei na lição 23. Vocês recordarão que vimos uma partida em que se fazia valer a vantagem das duas peças a mais, obtidas em troca de uma torre e dois peões. 

Agora veremos um caso parecido, porém não igual. UM BISPO E UM CAVALO REPRESENTAM UM POUCO MAIS QUE UMA TORRE. O QUE TENHA AS DUAS PEÇAS DEVE SE IMPOR. E se em vez de ficar com dois cavalos (que foi o que vimos) ficar-se com bispo e cavalo, é mais fácil ganhar. Eu lhes mostro partidas de mestres em que estas coisas ocorrem, e isso significa que o caso se apresenta com freqüência, e que quem entrega as duas peças "acredita" que poderá sustentar a partida, uma vez que até mestres pensam assim. Claro que às vezes se faz essa troca pela obrigação, ou porque não há nada melhor naquele momento. E, repito, o que tenha as peças menores deve ganhar. 


Brancas: Marshall

Negras : Janovsky
Gambito de Dama Aceito. 

1.d4 d5 2.c4 dxc4!

Seguindo seu costume, Janovsky toma o peão do gambito. Isso não se faz com a idéia de sustentar esse peão, mas de levar o jogo por caminhos não conhecidos. Como não há pressa em recuperar esse peão, o branco pode seguir desenvolvendo-se.

3.Cc3

({Sabemos que é fácil tomar em seguida o peão jogando:} 3.Da4+)

3...e5!?

Janovsky usa um gambito muito interessante, que o tinha muito bem estudado. Entrega um peão, porém o faz para sair de caminhos trilhados e entrar em variantes que analisou a fundo. Não é necessário dizer que este gambito não pode ser muito bom, porém tem O VALOR DA SURPRESA, E A SURPRESA NO XADREZ TEM UM VALOR MUITO IMPORTANTE.

4.e3

({Se o branco tomasse:} 4.dxe5 seguiria a troca de damas com 4...Dxd1+ Caso se retome com 5.Rxd1 o branco perde o roque. ({Se retoma com} 5.Cxd1 perde um tempo e estão iguais em peões porque, mesmo que as brancas consigam capturar o peão dobrado de c4, seguramente as negras também tomarão o peão dobrado de e5.))

{Depois do que as negras terão seus peões melhor colocados (3 em cada flanco) e suas peças poderiam sair livremente. Do que se deduz que o melhor será não tomar o peão de e5. Talvez a melhor jogada seja avançar 4.d5. Marshall, talvez surpreso, "improvisou" jogando 4. e3, sustentando o peão dama , porém logo vai ficar com um peão isolado.} 

 

4...exd4 5.exd4

E as brancas já estão com um peão central isolado, que nessa partida não se pode ou não se soube aproveitar. Mas, independente disso, O PEÃO ISOLADO É UMA DESVANTAGEM. Vejamos a posição: as negras ficaram com 3 peões negros em cada flanco e suas peças em disposição de ir aonde queiram, enquanto o branco tem 3 peões no flanco rei, 2 peões no flanco dama e um peão central isolado. Quer dizer que se o gambito planejado por Janovsky resultasse sempre nesta posição, seria conveniente jogá-lo; porém já disse que a jogada 4.e3 foi uma improvisação infeliz. Por enquanto, as negras conseguiram o máximo com o mínimo de esforço. ÀS VEZES, O GAMBITO DE DAMA ACEITO COSTUMA RESULTAR PROVEITOSO PORQUE É POUCO JOGADO. ENTÃO, O ADVERSÁRIO NÃO SABE ONDE SE AGARRAR E PODE SE PERDER. Bem, o negro já tem um objetivo: começa a atacar o peão isolado:

5...Cc6 6.Cf3

Defende.

6...Cf6

(Desenvolve.

7.Bxc4 Bd6

Prepara seu roque.

8.O-O O-O

Os dois lados já estão rocados e a posição é equilibrada. Diria que, em meu conceito, as negras estão um pouquinho melhor porque não têm o peão central isolado.

9.Bg5

Pressiona a dama.

9...Bg4

Imita.

10.Cd5

Por que joga 10.Cd5 e não 10. Ce4, que parece mais eficaz? Há uma razão: fazer 10. Ce4 só tem a idéia de pressionar sobre o cavalo de f6 cravado e, ainda que de passagem ataque o bispo negro de d6, o adversário pode responder Be7, com o que se descrava. Com 10. Cd5 também se pressiona o cavalo negro cravado, mas, se respondem Be7, este bispo se coloca sob fogo do cavalo, que pode tomá-lo, fazendo uma troca vantajosa. Assim ocorreu.

10...Be7 11.Cxe7+ Dxe7

A dama continua pressionada e as brancas ficaram com a vantagem de seus dois bispos. Para um jogador posicional, isso já seria suficiente, porém Marshall é um jogador combinativo, de ataque, e não se contenta com ganhar a longo prazo; quer ganhar material ou dar mate em seguida. Por isso busca combinações como esta:

12.Bd5

Qual é a idéia? Dobrar o peão na coluna bispo dama (coluna c) e logo colocar sua torre de a1 em c1, "apertá-lo" desde essa coluna aberta. Dessa maneira, se assegura a vantagem material. Vemos, pois, que não lhe interessa vantagens posicionais, mas materiais.

12...Tfd8

({Se as negras respondem} 12...Cd8 defendendo o peão de b7, interrompem o tráfego de suas torres na oitava linha. Será melhor continuar com uma jogada ativa, que ameace o bispo, o peão de d4 e a dama branca. Porém as brancas se oporão com outra "jogada intermediária". Vejamos)

13.Te1

Ataca a dama.

13...Dd6 14.Bxc6

Com isso, parece que se dá oportunidade às negras de retomar com a dama o bispo branco.

14...bxc6

({Se:} 14...Dxc6 é mau devido a 15.Ce5 Bxd1 16.Cxc6 Ameaçando a torre. E quando a torre se mover, ganha o bispo. Ou, do contrário, ganha qualidade ou dobra os peões na coluna bispo dama (coluna c). Além disso, esse cavalo pode ter um xeque salvador na sétima linha. Não convém, portanto, 14....Dxc6, pondo a dama na linha de fogo do cavalo.)

{Ou seja, as brancas não perderam nada em esperar um pouco para fazer a troca 14. Bxc6 porque, de todos os modos, dobraram o peão bispo dama negro, como se haviam proposto, e isso será um objetivo a explorar.} 

 

15.h3

Isso cria uma pequena debilidade no roque, porém Marshall o faz para que o contrário se decida a tomar o cavalo ou sair, aliviando a pressão sobre a dama para poder jogar Ce5, atacando já o peão dobrado;

15...Bh5

Mantém a pressão. ({Se:} 15...Bxf3 16.Dxf3 Também com ataque sobre o peão dobrado. Certamente Janovsky não vai dar o gosto e continuará cravando o cavalo dom o bispo desde h5. {Porém, se continua com:} 16...Dxd4 17.Bxf6 Dxf6 18.Dxf6 gxf6 com o que se dobra outro peão das negras e terá desaparecido a única debilidade das brancas, que era o peão central isolado.)

{Porque, mesmo havendo sobre o tabuleiro um peão negro a mais, as brancas conservam a iniciativa e não tem nenhum peão dobrado. Por isso as negras não jogaram 15....Bxf3, mas 15....Bh5.} 

 

16.Tc1

Ataca o peão dobrado.

16...Tab8

Toma outra coluna aberta e, ao mesmo tempo, ataca o peão de b2 do branco. Em lugar de defendê-lo ou avançá-lo, Marshall faz uma boa jogada. Quer dizer, boa para quem tem idéias de ataque. Um jogador posicional teria feito outra coisa, porém Marshall era homem de ataque e trata de "empurrar" o bispo que o molesta, para logo centralizar seu cavalo.

17.g4 Bg6 18.Ce5

Ataca duas vezes o peão dobrado.

{Por isso, as negras preferem jogar.} 

 

18...c5

({Não é possível sustentar-se com:} 18...Tb6 devido a 19.Cc4 dando duplo na dama e na torre.) ({Se} 18...Dxd4 19.Cxc6 com triplo na dama e nas torres. Fazer outra jogada indiferente, tampouco seria bom porque, ao tomar o peão dobrado do bispo dama (peão de c6), o cavalo ameaça simultaneamente as duas torres.)

19.dxc5 Da6

({É evidente que se} 19...Dxd1 20.Texd1 Txd1+ 21.Txd1 e a 21...Txb2 22.Td8+ com mate inevitável.)

{Somente agora o negro percebe e por este motivo não "entra" com a dama. Porém, como faz para recuperar o peão perdido? É evidente que o negro está um pouco inferior, porém isso não é suficiente para se entregar. Por isso, Janovsky pensou: se tiro minha dama de d6 e a levo a a6, fica ameaçada a dama contrária, o peão de b2 e o de a2; ou seja, enquanto se mova a dama branca, algum peão cairá. Porém, podem as brancas encontrar alguma jogada ativa que defenda tudo? Vejamos:} 

 

20.Df3

Marshall ameaça várias coisas: agora pode dar um duplo nas torres negras com 21.Cc6. Com isso, também pode cortar a defesa da dama negra sobre seu cavalo de f6, etc. Pelo momento, as negras não tem mais remédio que escapar do duplo e recuperar seu peãozinho.

20...Txb2 21.Cc6

Jogada tranqüila e boa, que põe o negro em um forte dilema. Se a torre ameaçada se move a qualquer das casas da coluna d, as brancas podem dar mate.

21...Be4

({Se o negro joga:} 21...Td7 que seria a melhor, seguiria 22.Ce7+ para abrir a diagonal h1-a8 para sua dama; o Rei negro move para a casa h8 ou f8, não importa... porém suponhamos que mova a: 22...Rf8 segue ({Se} 22...Rh8 o mate é mais fácil com a mesma combinação 23.Da8+ Cg8

({Certamente, tampouco evita o mate jogar:} 23...Td8 24.Dxd8+ Cg8 25.Dxg8#) 24.Dxg8#) 23.Da8+ Ce8 24.Cxg6+ fxg6 25.Dxe8#) ({Bem, se a torre não pode sair da oitava linha e agora está ameaçada, para onde pode ir? Pouco importa. Se} 21...Tf8 22.Bxf6 gxf6 23.Dxf6 ameaçando mate com Ce7+ e, como se fosse pouco, até se pode ganhar a cama negra com esse xeque "descoberto".)

{A posição é grave para o negro. Que lhe resta? Para poder se "safar", não lhe resta mais que sacrificar duas peças menores por uma torre. Vemos que aqui é a obrigação que faz realizar a troca, que é o tema desta lição. Porém, as brancas fazem uma jogada intermediária antes de executar a troca.} 

 

22.Ce7+

({Não é bom jogar da seguinte maneira:} 22.Txe4 devido a 22...Cxe4 e se 23.Cxd8 segue ({E se} 23.Bxd8 Dxc6) 23...Cxg5 ficando iguais em peças.)

22...Rh8

É o mesmo que Rf8.

23.Txe4 Cxe4 24.Dxe4

diagrama a

 

Se efetuou a troca que escolhemos como tema para a lição de hoje.

{Se observamos neste momento o tabuleiro, veremos que estamos diante de uma posição curiosa. Do modo que se fez na partida, as brancas entregaram uma torre por um bispo e um cavalo de maneira que, ainda que agora venha 24.....Txa2, teria perdido uma torre e um peão, ou seja, que as brancas estariam em melhor situação (materialmente) que na partida que vimos na lição 23, onde se entregaram dois peões e a torre por duas peças menores. Estudemos como Marshall faz para definir a partida, depois destas trocas, que lhe foram favoráveis. Porém, agora joga o negro:} 

 

24...Te2

Ataca a dama, tratando de buscar combinações.

25.Be3

({Se} 25.Df3 Segue 25...f6 Ameaçando simultaneamente o cavalo e o bispo, ganhando algo.)

{Porém, QUANDO SE CHEGA A POSIÇÕES COM CERTAS VANTAGENS MATERIAIS E TENHAM DESAPARECIDO AS COMBINAÇÕES QUE POSSAM TERMINAR EM MATE, O MELHOR É RECOLHER-SE AOS QUARTÉIS DE INVERNO; NÃO ARRISCAR NADA. Referindo-se a isso, podemos dizer: QUANDO VOCÊ "ENCHEU BEM A BARRIGA", O MELHOR É IR DORMIR. Recorde: SE VOCÊ JÁ GANHOU QUALQUER COISA E NÃO HÁ MAIS PERIGOS PARA O REI, JOGUE "TRANQÜILO". Por isso Marshall tirou seu bispo de g5 para defender seu peão de f2 de algum possível ataque.} 

 

25...Txa2 26.Cc6

Ataca uma torre, porém esse cavalo foi posto aí com a idéia de levá-lo à casa b4, dando duplo na dama e na torre. Claro que esse duplo não importaria muito porque o cavalo será "cravado" com Da4.

26...Tg8 27.Dd5

Ameaça dar o duplo, porém isso é aparente porque as brancas viram que a posição do rei negro pode dar lugar a um "Mate Philidor" ou algo parecido. Por enquanto, as negras devem sair do duplo.

27...Ta4 28.Ce5

As brancas estão ameaçando o clássico Mate Philidor em 4 jogadas.

28...h6

({Por exemplo: se as negras querem defender o peão de f7 e fazer:} 28...Tf8 seguiria 29.Cxf7+ Rg8

({Se} 29...Txf7 30.Dd8+ Tf8 31.Dxf8#) 30.Ch6+ xeque duplo de dama e cavalo; 30...Rh8 Única. 31.Dg8+ Txg8 32.Cf7#)

{A jogada 28....h6 era necessária para dar uma saída ao rei.} 

 

29.Dxf7 Df6

Entre a dama e o cavalo branco estavam ameaçando uma série de coisas e xeques. Por isso, o negro se decide a trocar as damas. ESTANDO AS BRANCAS COM VANTAGEM MATERIAL, NÃO DEVEM NEM TITUBEAR EM TROCAR AS DAMAS. Ainda mais que, ao fazê-lo "esparramam" outro peão negro; de tal modo que os 4 peões que restaram a Janovsky serão fracos por estarem isolados. Além disso, as brancas podem ganhar outro peão em seguida, como veremos.

30.Dxf6 gxf6 31.Cf7+ Rh7 32.Cxh6 Td8 33.Cf5

Esse cavalo em f5 está agora "muito bem colocado". As negras tratarão logo de fazer valer a única vantagem que possuem: seu peão passado de a7. Começam por fazê-lo caminhar para, caso o permitam, levá-lo a dama.

33...a5

Se desaparecesse o peão negro de c7, o peão branco de c5 poderia converter-se em dama. Marshall começa a "trabalhá-lo".

34.c6 Te4

Abre caminho a seu peão de a5;

35.Tc5

Ameaça o peão negro de a5.

35...Te5 36.Tc4

({Se} 36.Txe5 fxe5 o branco deve ganhar o final, porém esse peão passado de a5 pode "dar trabalho".)

{É mais fácil evitar com a torre branca o avanço de dito peão; e simultaneamente ameaçar Bf4 para ganhar o peão negro de c7.} 

 

36...Te6

Sai da ameaça.

37.Bf4

Vemos que as negras não têm muitas jogadas para defender seu peão de c7. Observemos, de passagem, a maior mobilidade das duas peças menores (bispo e cavalo) sobre as torres negras.

37...Tc8 38.Td4 Rh8

({Se} 38...Txc6 39.Ce7 duplo nas torres.) ({E até em caso de não querer ganhar qualidade, pode buscar combinações de mate. Por exemplo:} 38...Txc6 39.Td7+ se 39...Rg8

({Se} 39...Rg6 40.Tg7#) ({E se} 39...Rh8 Acontecerá algo parecido ao que ocorreu na partida, e já veremos. As negras começam por escapar com seu rei, ainda que não podem evitar perder a qualidade.) 40.Ce7+ Ganhando uma torre limpa.)

39.Td7 a4

("Apura".)

40.Ce7

diagrama b


As brancas podiam escolher esta, entre várias jogadas. A posição permite isso. Pode-se despachar "ao gosto do consumidor" e segundo o temperamento de cada um. Este que Marshall escolheu parece que facilitará o avanço do peão de a4, única esperança do negro.

40...Txe7

({Pareceria que a} 40...a3 se seguisse com 41.Cxc8 a2 e são muitas as probabilidades de coroar.) ({Porém a} 40...a3 seguiria 41.Cg6+ Rg8 Única. 42.Bh6 E as brancas darão mate na próxima com 43.Tg7++.)

{A mesma combinação se fará no caso de que a torre negra atacada vá a b8 ou a8, que são os movimentos que, nas primeiras analises, surgem como melhores para o negro. Não lhe restou mais remédio que fazer um sacrifício, sempre com a esperança de coroar esse peão passado. Porém, isso já não é uma troca ou sacrifício, senão uma jogada desesperada.} 

 

41.Txe7

Chegar a isso significa que terminou a luta porque as brancas já têm uma peça limpa a mais. Janovsky segue adiantando sua única esperança e faz:

41...a3 42.Bh6

Marshall age como se não visse o avanço do peão de a6 e o deixa seguir; porém outra é sua idéia:

42...a2 43.Bg7+ Rh7 44.Bxf6+

Descoberto.

44...Rg6 45.Bc3

Já não poderá coroar mais o peão da torre dama negro. Em troca, as brancas têm um peão na casa c6 que, quando desapareça o peão que tem à sua frente, estará a dois passos de coroar. Além disso, três peões unidos e passados no flanco rei, que decidirão a luta facilmente. A partida seguiu um pouco mais, porém não tem nenhum interesse ver como terminou. À esta altura, está completamente ganha. 

 

RESUMO: 

 

Como vocês vêem, o branco jogou com duas peças menores (bispo e cavalo) em troca de uma torre e ganhou com facilidade. O branco dominou todo o tabuleiro e sempre ameaçou mate e coisas raras. Isso quer dizer de forma determinante que NÃO SE PODE NEM SE DEVE ENTREGAR DUAS PEÇAS MENORES POR UMA TORRE, POR QUE NÃO É UMA "TROCA", MAS UM "SACRIFÍCIO". E quando se faz isso, ainda que seja por obrigação (como neste caso), não se poderá sustentar a partida. 

 

Bem, amigos, finalizamos esta lição, porém seguirão outras. É minha meta fazer chegar até vocês estas interessantes e instrutivas lições de xadrez ditadas pelo Dr. Besadon. E lhes digo o seguinte, como um grande revolucionário Bolivariano que sou: o processo de aprendizagem é certamente complexo e permeia todos os aspectos do desenvolvimento: permite ao indivíduo ir adaptando-se ao ambiente, transformando-o, aproxima-nos das metas propostas, proporciona satisfação e nos capacita a realizar consideráveis mudanças sociais, científicas, artísticas e pessoais. 

 

Continuemos com a Biografia de Nosso Ilustre Libertador, Simon Bolívar. O menino Simon, que havia aprendido a ler, escrever e contar com vários preceptores, freqüentou a Escola Pública, regida pelo educador venezuelano Simon Rodriguez, homem de originais e progressistas idéias pedagógicas e sociais, que exerceria logo uma profunda influência sobre Bolívar. 

 

Entretanto, morreu o avô, e a tutoria recaiu em Carlos Palácios, tio de Simon, com quem este não se entendia muito bem. Don Carlos, solteiro, passava muito tempo em suas fazendas e Simon saia a passear, à pé e à cavalo, por Caracas e seus arredores em companhia de meninos que não eram "de sua classe". Ao completar 12 anos, o menino, na ausência do tutor, fugiu de sua casa e foi buscar abrigo na casa de sua irmã, Maria Antonia. Isto suscitou um pleito, que terminou quando Bolívar, apesar de sua resistência, foi conduzido, na qualidade de interno, à casa de seu mestre, Simon Rodriguez. 

 

A personalidade daquele "muchacho", que mais tarde haveria de converter-se no Libertador e ser conhecido por sua firmeza e constância, se pôs já de manifesto naquele momento. Quando quiseram levá-lo à força para outra casa, resistiu dizendo que poderiam dispor de seus bens, porém não de sua pessoa, pois nesta somente ele o mandava. Outra vez, exclamou que se os escravos tinham direito a trocar de amo, pelo menos deviam permitir-lhe viver na casa que melhor o acomodasse. Entretanto, teve que ceder. Nestas circunstâncias, Rodriguez conseguiu ganhar-lhe a confiança e se converteu, desde então, em "O Maestro" de Bolívar. 

 

Durante esses poucos meses de 1795, entre eles estreitaram-se os laços de simpatia, que não cessariam senão com a morte. A marca afetiva no espírito do jovem pupilo, Rodrigues fez em Caracas, não com teorias de Rousseau, mas com tato, compreensão, sensibilidade e firmeza. Incutia-lhe também conhecimentos, porém, mais que estes, o importante foi como lhe abriu os olhos, a mente e o coração para as perspectivas de uma vida consagrada a um ideal. Por isso, Bolívar escrevia a seu antigo mestre em 1824: "Você formou meu coração para a liberdade, para a justiça, para o grande, para o belo..." 

1-0

TRANSCRIÇÃO feita pelo Professor ERICH GONZALEZ, da Cidade de Maracaibo, estado Zulia. Venezuela LIÇÕES DO Dr. RAFAEL BESANDON, BASEADOS EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.

Prof.: Erich Gonzalez e - mail: edgonzal@luz.ve

Tradução: Elias Muniz

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Os diagramas desta página foram feitos com o programa Chesstool 
de Guillermo Gajate.