Minhas
saudações e os mais sinceros agradecimentos de todo coração a todos
aqueles que, dia à dia, seguem o desenvolvimento destas excelentes lições
do Dr. Besadon. Vai também meu agradecimento a esta excelente página,
sem a ajuda da qual seria difícil que estas lições cumprissem seu
objetivo. E um pequeno conselho para vocês: Para ter êxito, há que
viver pensando e atuando grande, sem se deixar levar pela fantasia.
Sejamos grandes no Xadrez. Colaboremos com sua difusão.
LIÇÃO
25 - A TROCA DE UMA TORRE POR BISPO E CAVALO
Hoje
vamos considerar um caso distinto do que lhes mostrei na lição 23. Vocês
recordarão que vimos uma partida em que se fazia valer a vantagem das
duas peças a mais, obtidas em troca de uma torre e dois peões.
Agora
veremos um caso parecido, porém não igual. UM BISPO E UM CAVALO
REPRESENTAM UM POUCO MAIS QUE UMA TORRE. O QUE TENHA AS DUAS PEÇAS DEVE
SE IMPOR. E se em vez de ficar com dois cavalos (que foi o que vimos)
ficar-se com bispo e cavalo, é mais fácil ganhar. Eu lhes mostro
partidas de mestres em que estas coisas ocorrem, e isso significa que o
caso se apresenta com freqüência, e que quem entrega as duas peças
"acredita" que poderá sustentar a partida, uma vez que até
mestres pensam assim. Claro que às vezes se faz essa troca pela obrigação,
ou porque não há nada melhor naquele momento. E, repito, o que tenha as
peças menores deve ganhar.
Brancas: Marshall
Negras
: Janovsky
Gambito de Dama Aceito.
1.d4 d5 2.c4 dxc4!
Seguindo seu costume, Janovsky toma o peão do gambito. Isso não se faz
com a idéia de sustentar esse peão, mas de levar o jogo por caminhos não
conhecidos. Como não há pressa em recuperar esse peão, o branco pode
seguir desenvolvendo-se.
3.Cc3
({Sabemos que é fácil tomar em seguida o peão jogando:} 3.Da4+)
3...e5!?
Janovsky usa um gambito muito interessante, que o tinha muito bem
estudado. Entrega um peão, porém o faz para sair de caminhos trilhados e
entrar em variantes que analisou a fundo. Não é necessário dizer que
este gambito não pode ser muito bom, porém tem O VALOR DA SURPRESA, E A
SURPRESA NO XADREZ TEM UM VALOR MUITO IMPORTANTE.
4.e3
({Se o branco tomasse:} 4.dxe5 seguiria a troca de damas com 4...Dxd1+
Caso se retome com 5.Rxd1 o branco perde o roque. ({Se retoma com} 5.Cxd1
perde um tempo e estão iguais em peões porque, mesmo que as brancas
consigam capturar o peão dobrado de c4, seguramente as negras também
tomarão o peão dobrado de e5.))
{Depois do que as negras terão seus peões melhor colocados (3 em cada
flanco) e suas peças poderiam sair livremente. Do que se deduz que o
melhor será não tomar o peão de e5. Talvez a melhor jogada seja avançar
4.d5. Marshall, talvez surpreso, "improvisou" jogando 4. e3,
sustentando o peão dama , porém logo vai ficar com um peão isolado.}
4...exd4
5.exd4
E as brancas já estão com um peão central isolado, que nessa partida não
se pode ou não se soube aproveitar. Mas, independente disso, O PEÃO
ISOLADO É UMA DESVANTAGEM. Vejamos a posição: as negras ficaram com
3 peões negros em cada flanco e suas peças em disposição de ir aonde
queiram, enquanto o branco tem 3 peões no flanco rei, 2 peões no flanco
dama e um peão central isolado. Quer dizer que se o gambito planejado por
Janovsky resultasse sempre nesta posição, seria conveniente jogá-lo;
porém já disse que a jogada 4.e3 foi uma improvisação infeliz. Por
enquanto, as negras conseguiram o máximo com o mínimo de esforço. ÀS
VEZES, O GAMBITO DE DAMA ACEITO COSTUMA RESULTAR PROVEITOSO PORQUE É
POUCO JOGADO. ENTÃO, O ADVERSÁRIO NÃO SABE ONDE SE AGARRAR E PODE SE
PERDER. Bem, o negro já tem um objetivo: começa a atacar o peão
isolado:
5...Cc6 6.Cf3
Defende.
6...Cf6
(Desenvolve.
7.Bxc4 Bd6
Prepara seu roque.
8.O-O O-O
Os dois lados já estão rocados e a posição é equilibrada. Diria que,
em meu conceito, as negras estão um pouquinho melhor porque não têm o
peão central isolado.
9.Bg5
Pressiona a dama.
9...Bg4
Imita.
10.Cd5
Por que joga 10.Cd5 e não 10. Ce4, que parece mais eficaz? Há uma razão:
fazer 10. Ce4 só tem a idéia de pressionar sobre o cavalo de f6 cravado
e, ainda que de passagem ataque o bispo negro de d6, o adversário pode
responder Be7, com o que se descrava. Com 10. Cd5 também se pressiona o
cavalo negro cravado, mas, se respondem Be7, este bispo se coloca sob fogo
do cavalo, que pode tomá-lo, fazendo uma troca vantajosa. Assim ocorreu.
10...Be7 11.Cxe7+ Dxe7
A dama continua pressionada e as brancas ficaram com a vantagem de seus
dois bispos. Para um jogador posicional, isso já seria suficiente, porém
Marshall é um jogador combinativo, de ataque, e não se contenta com
ganhar a longo prazo; quer ganhar material ou dar mate em seguida. Por
isso busca combinações como esta:
12.Bd5
Qual é a idéia? Dobrar o peão na coluna bispo dama (coluna c) e logo
colocar sua torre de a1 em c1, "apertá-lo" desde essa coluna
aberta. Dessa maneira, se assegura a vantagem material. Vemos, pois, que não
lhe interessa vantagens posicionais, mas materiais.
12...Tfd8
({Se as negras respondem} 12...Cd8 defendendo o peão de b7, interrompem o
tráfego de suas torres na oitava linha. Será melhor continuar com uma
jogada ativa, que ameace o bispo, o peão de d4 e a dama branca. Porém as
brancas se oporão com outra "jogada intermediária". Vejamos)
13.Te1
Ataca a dama.
13...Dd6 14.Bxc6
Com isso, parece que se dá oportunidade às negras de retomar com a dama
o bispo branco.
14...bxc6
({Se:} 14...Dxc6 é mau devido a 15.Ce5 Bxd1 16.Cxc6 Ameaçando a torre. E
quando a torre se mover, ganha o bispo. Ou, do contrário, ganha qualidade
ou dobra os peões na coluna bispo dama (coluna c). Além disso, esse
cavalo pode ter um xeque salvador na sétima linha. Não convém,
portanto, 14....Dxc6, pondo a dama na linha de fogo do cavalo.)
{Ou seja, as brancas não perderam nada em esperar um pouco para fazer a
troca 14. Bxc6 porque, de todos os modos, dobraram o peão bispo dama
negro, como se haviam proposto, e isso será um objetivo a
explorar.}
15.h3
Isso cria uma pequena debilidade no roque, porém Marshall o faz para que
o contrário se decida a tomar o cavalo ou sair, aliviando a pressão
sobre a dama para poder jogar Ce5, atacando já o peão dobrado;
15...Bh5
Mantém a pressão. ({Se:} 15...Bxf3 16.Dxf3 Também com ataque sobre o peão
dobrado. Certamente Janovsky não vai dar o gosto e continuará cravando o
cavalo dom o bispo desde h5. {Porém, se continua com:} 16...Dxd4 17.Bxf6
Dxf6 18.Dxf6 gxf6 com o que se dobra outro peão das negras e terá
desaparecido a única debilidade das brancas, que era o peão central
isolado.)
{Porque, mesmo havendo sobre o tabuleiro um peão negro a mais, as brancas
conservam a iniciativa e não tem nenhum peão dobrado. Por isso as negras
não jogaram 15....Bxf3, mas 15....Bh5.}
16.Tc1
Ataca o peão dobrado.
16...Tab8
Toma outra coluna aberta e, ao mesmo tempo, ataca o peão de b2 do branco.
Em lugar de defendê-lo ou avançá-lo, Marshall faz uma boa jogada. Quer
dizer, boa para quem tem idéias de ataque. Um jogador posicional teria
feito outra coisa, porém Marshall era homem de ataque e trata de
"empurrar" o bispo que o molesta, para logo centralizar seu
cavalo.
17.g4 Bg6 18.Ce5
Ataca duas vezes o peão dobrado.
{Por isso, as negras preferem jogar.}
18...c5
({Não é possível sustentar-se com:} 18...Tb6 devido a 19.Cc4 dando
duplo na dama e na torre.) ({Se} 18...Dxd4 19.Cxc6 com triplo na dama e
nas torres. Fazer outra jogada indiferente, tampouco seria bom porque, ao
tomar o peão dobrado do bispo dama (peão de c6), o cavalo ameaça
simultaneamente as duas torres.)
19.dxc5 Da6
({É evidente que se} 19...Dxd1 20.Texd1 Txd1+ 21.Txd1 e a 21...Txb2
22.Td8+ com mate inevitável.)
{Somente agora o negro percebe e por este motivo não "entra"
com a dama. Porém, como faz para recuperar o peão perdido? É evidente
que o negro está um pouco inferior, porém isso não é suficiente para
se entregar. Por isso, Janovsky pensou: se tiro minha dama de d6 e a levo
a a6, fica ameaçada a dama contrária, o peão de b2 e o de a2; ou seja,
enquanto se mova a dama branca, algum peão cairá. Porém, podem as
brancas encontrar alguma jogada ativa que defenda tudo? Vejamos:}
20.Df3
Marshall ameaça várias coisas: agora pode dar um duplo nas torres negras
com 21.Cc6. Com isso, também pode cortar a defesa da dama negra sobre seu
cavalo de f6, etc. Pelo momento, as negras não tem mais remédio que
escapar do duplo e recuperar seu peãozinho.
20...Txb2 21.Cc6
Jogada tranqüila e boa, que põe o negro em um forte dilema. Se a torre
ameaçada se move a qualquer das casas da coluna d, as brancas podem dar
mate.
21...Be4
({Se o negro joga:} 21...Td7 que seria a melhor, seguiria 22.Ce7+ para
abrir a diagonal h1-a8 para sua dama; o Rei negro move para a casa h8 ou
f8, não importa... porém suponhamos que mova a: 22...Rf8 segue ({Se}
22...Rh8 o mate é mais fácil com a mesma combinação 23.Da8+ Cg8
({Certamente, tampouco evita o mate jogar:} 23...Td8 24.Dxd8+ Cg8
25.Dxg8#) 24.Dxg8#) 23.Da8+ Ce8 24.Cxg6+ fxg6 25.Dxe8#) ({Bem, se a torre
não pode sair da oitava linha e agora está ameaçada, para onde pode ir?
Pouco importa. Se} 21...Tf8 22.Bxf6 gxf6 23.Dxf6 ameaçando mate com Ce7+
e, como se fosse pouco, até se pode ganhar a cama negra com esse xeque
"descoberto".)
{A posição é grave para o negro. Que lhe resta? Para poder se
"safar", não lhe resta mais que sacrificar duas peças menores
por uma torre. Vemos que aqui é a obrigação que faz realizar a troca,
que é o tema desta lição. Porém, as brancas fazem uma jogada intermediária
antes de executar a troca.}
22.Ce7+
({Não é bom jogar da seguinte maneira:} 22.Txe4 devido a 22...Cxe4 e se
23.Cxd8 segue ({E se} 23.Bxd8 Dxc6) 23...Cxg5 ficando iguais em peças.)
22...Rh8
É o mesmo que Rf8.
23.Txe4 Cxe4 24.Dxe4

Se
efetuou a troca que escolhemos como tema para a lição de hoje.
{Se observamos neste momento o tabuleiro, veremos que estamos diante de
uma posição curiosa. Do modo que se fez na partida, as brancas
entregaram uma torre por um bispo e um cavalo de maneira que, ainda que
agora venha 24.....Txa2, teria perdido uma torre e um peão, ou seja, que
as brancas estariam em melhor situação (materialmente) que na partida
que vimos na lição 23, onde se entregaram dois peões e a torre por duas
peças menores. Estudemos como Marshall faz para definir a partida, depois
destas trocas, que lhe foram favoráveis. Porém, agora joga o
negro:}
24...Te2
Ataca a dama, tratando de buscar combinações.
25.Be3
({Se} 25.Df3 Segue 25...f6 Ameaçando simultaneamente o cavalo e o bispo,
ganhando algo.)
{Porém, QUANDO SE CHEGA A POSIÇÕES COM CERTAS VANTAGENS MATERIAIS E
TENHAM DESAPARECIDO AS COMBINAÇÕES QUE POSSAM TERMINAR EM MATE, O MELHOR
É RECOLHER-SE AOS QUARTÉIS DE INVERNO; NÃO ARRISCAR NADA. Referindo-se
a isso, podemos dizer: QUANDO VOCÊ "ENCHEU BEM A BARRIGA", O
MELHOR É IR DORMIR. Recorde: SE VOCÊ JÁ GANHOU QUALQUER COISA E NÃO HÁ
MAIS PERIGOS PARA O REI, JOGUE "TRANQÜILO". Por isso Marshall
tirou seu bispo de g5 para defender seu peão de f2 de algum possível
ataque.}
25...Txa2
26.Cc6
Ataca uma torre, porém esse cavalo foi posto aí com a idéia de levá-lo
à casa b4, dando duplo na dama e na torre. Claro que esse duplo não
importaria muito porque o cavalo será "cravado" com Da4.
26...Tg8 27.Dd5
Ameaça dar o duplo, porém isso é aparente porque as brancas viram que a
posição do rei negro pode dar lugar a um "Mate Philidor" ou
algo parecido. Por enquanto, as negras devem sair do duplo.
27...Ta4 28.Ce5
As brancas estão ameaçando o clássico Mate Philidor em 4 jogadas.
28...h6
({Por exemplo: se as negras querem defender o peão de f7 e fazer:}
28...Tf8 seguiria 29.Cxf7+ Rg8
({Se} 29...Txf7 30.Dd8+ Tf8 31.Dxf8#) 30.Ch6+ xeque duplo de dama e
cavalo; 30...Rh8 Única. 31.Dg8+ Txg8 32.Cf7#)
{A jogada 28....h6 era necessária para dar uma saída ao rei.}
29.Dxf7
Df6
Entre a dama e o cavalo branco estavam ameaçando uma série de coisas e
xeques. Por isso, o negro se decide a trocar as damas. ESTANDO AS
BRANCAS COM VANTAGEM MATERIAL, NÃO DEVEM NEM TITUBEAR EM TROCAR AS DAMAS.
Ainda mais que, ao fazê-lo "esparramam" outro peão negro; de
tal modo que os 4 peões que restaram a Janovsky serão fracos por estarem
isolados. Além disso, as brancas podem ganhar outro peão em seguida,
como veremos.
30.Dxf6 gxf6 31.Cf7+ Rh7 32.Cxh6 Td8
33.Cf5
Esse cavalo em f5 está agora "muito bem colocado". As negras
tratarão logo de fazer valer a única vantagem que possuem: seu peão
passado de a7. Começam por fazê-lo caminhar para, caso o permitam, levá-lo
a dama.
33...a5
Se desaparecesse o peão negro de c7, o peão branco de c5 poderia
converter-se em dama. Marshall começa a "trabalhá-lo".
34.c6 Te4
Abre caminho a seu peão de a5;
35.Tc5
Ameaça o peão negro de a5.
35...Te5 36.Tc4
({Se} 36.Txe5 fxe5 o branco deve ganhar o final, porém esse peão passado
de a5 pode "dar trabalho".)
{É mais fácil evitar com a torre branca o avanço de dito peão; e
simultaneamente ameaçar Bf4 para ganhar o peão negro de c7.}
36...Te6
Sai da ameaça.
37.Bf4
Vemos que as negras não têm muitas jogadas para defender seu peão de
c7. Observemos, de passagem, a maior mobilidade das duas peças menores
(bispo e cavalo) sobre as torres negras.
37...Tc8 38.Td4 Rh8
({Se} 38...Txc6 39.Ce7 duplo nas torres.) ({E até em caso de não querer
ganhar qualidade, pode buscar combinações de mate. Por exemplo:}
38...Txc6 39.Td7+ se 39...Rg8
({Se} 39...Rg6 40.Tg7#) ({E se} 39...Rh8 Acontecerá algo parecido ao que
ocorreu na partida, e já veremos. As negras começam por escapar com seu
rei, ainda que não podem evitar perder a qualidade.) 40.Ce7+ Ganhando uma
torre limpa.)
39.Td7 a4
("Apura".)
40.Ce7

As brancas podiam escolher esta, entre várias jogadas. A posição
permite isso. Pode-se despachar "ao gosto do consumidor" e
segundo o temperamento de cada um. Este que Marshall escolheu parece que
facilitará o avanço do peão de a4, única esperança do negro.
40...Txe7
({Pareceria que a} 40...a3 se seguisse com 41.Cxc8 a2 e são muitas as
probabilidades de coroar.) ({Porém a} 40...a3 seguiria 41.Cg6+ Rg8 Única.
42.Bh6 E as brancas darão mate na próxima com 43.Tg7++.)
{A mesma combinação se fará no caso de que a torre negra atacada vá a
b8 ou a8, que são os movimentos que, nas primeiras analises, surgem como
melhores para o negro. Não lhe restou mais remédio que fazer um sacrifício,
sempre com a esperança de coroar esse peão passado. Porém, isso já não
é uma troca ou sacrifício, senão uma jogada desesperada.}
41.Txe7
Chegar a isso significa que terminou a luta porque as brancas já têm uma
peça limpa a mais. Janovsky segue adiantando sua única esperança e faz:
41...a3 42.Bh6
Marshall age como se não visse o avanço do peão de a6 e o deixa seguir;
porém outra é sua idéia:
42...a2 43.Bg7+ Rh7 44.Bxf6+
Descoberto.
44...Rg6 45.Bc3
Já
não poderá coroar mais o peão da torre dama negro. Em troca, as brancas
têm um peão na casa c6 que, quando desapareça o peão que tem à sua
frente, estará a dois passos de coroar. Além disso, três peões unidos
e passados no flanco rei, que decidirão a luta facilmente. A partida
seguiu um pouco mais, porém não tem nenhum interesse ver como terminou.
À esta altura, está completamente ganha.
RESUMO:
Como
vocês vêem, o branco jogou com duas peças menores (bispo e cavalo) em
troca de uma torre e ganhou com facilidade. O branco dominou todo o
tabuleiro e sempre ameaçou mate e coisas raras. Isso quer dizer de forma
determinante que NÃO SE PODE NEM SE DEVE ENTREGAR DUAS PEÇAS MENORES
POR UMA TORRE, POR QUE NÃO É UMA "TROCA", MAS UM "SACRIFÍCIO".
E quando se faz isso, ainda que seja por obrigação (como neste caso), não
se poderá sustentar a partida.
Bem,
amigos, finalizamos esta lição, porém seguirão outras. É minha meta
fazer chegar até vocês estas interessantes e instrutivas lições de
xadrez ditadas pelo Dr. Besadon. E lhes digo o seguinte, como um grande
revolucionário Bolivariano que sou: o processo de aprendizagem é
certamente complexo e permeia todos os aspectos do desenvolvimento:
permite ao indivíduo ir adaptando-se ao ambiente, transformando-o,
aproxima-nos das metas propostas, proporciona satisfação e nos capacita
a realizar consideráveis mudanças sociais, científicas, artísticas e
pessoais.
Continuemos
com a Biografia de Nosso Ilustre Libertador, Simon Bolívar. O menino
Simon, que havia aprendido a ler, escrever e contar com vários
preceptores, freqüentou a Escola Pública, regida pelo educador
venezuelano Simon Rodriguez, homem de originais e progressistas idéias
pedagógicas e sociais, que exerceria logo uma profunda influência sobre
Bolívar.
Entretanto,
morreu o avô, e a tutoria recaiu em Carlos Palácios, tio de Simon, com
quem este não se entendia muito bem. Don Carlos, solteiro, passava muito
tempo em suas fazendas e Simon saia a passear, à pé e à cavalo, por
Caracas e seus arredores em companhia de meninos que não eram "de
sua classe". Ao completar 12 anos, o menino, na ausência do tutor,
fugiu de sua casa e foi buscar abrigo na casa de sua irmã, Maria Antonia.
Isto suscitou um pleito, que terminou quando Bolívar, apesar de sua
resistência, foi conduzido, na qualidade de interno, à casa de seu
mestre, Simon Rodriguez.
A
personalidade daquele "muchacho", que mais tarde haveria de
converter-se no Libertador e ser conhecido por sua firmeza e constância,
se pôs já de manifesto naquele momento. Quando quiseram levá-lo à força
para outra casa, resistiu dizendo que poderiam dispor de seus bens, porém
não de sua pessoa, pois nesta somente ele o mandava. Outra vez, exclamou
que se os escravos tinham direito a trocar de amo, pelo menos deviam
permitir-lhe viver na casa que melhor o acomodasse. Entretanto, teve que
ceder. Nestas circunstâncias, Rodriguez conseguiu ganhar-lhe a confiança
e se converteu, desde então, em "O Maestro" de Bolívar.
Durante
esses poucos meses de 1795, entre eles estreitaram-se os laços de
simpatia, que não cessariam senão com a morte. A marca afetiva no espírito
do jovem pupilo, Rodrigues fez em Caracas, não com teorias de Rousseau,
mas com tato, compreensão, sensibilidade e firmeza. Incutia-lhe também
conhecimentos, porém, mais que estes, o importante foi como lhe abriu os
olhos, a mente e o coração para as perspectivas de uma vida consagrada a
um ideal. Por isso, Bolívar escrevia a seu antigo mestre em 1824:
"Você formou meu coração para a liberdade, para a justiça, para o
grande, para o belo..."
1-0
TRANSCRIÇÃO
feita pelo Professor ERICH GONZALEZ, da Cidade de Maracaibo, estado Zulia.
Venezuela LIÇÕES DO Dr. RAFAEL BESANDON, BASEADOS EM APONTAMENTOS
TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.
Prof.:
Erich Gonzalez e - mail: edgonzal@luz.ve
Tradução:
Elias Muniz
>>
Partida no visor
Os
diagramas desta página foram feitos com o programa Chesstool
de Guillermo Gajate.