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Lição 26

Prof. Erich Gonzalez

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Estimados e queridos amigos. Continuemos com as instrutivas lições do Dr. Besadon. Desculpem-me a demora, porém, como lhes prometi, meu objetivo é transcrevê-las todas. Tenham paciência, que promessa é dívida. 

OG MANDINO nos diz em seu livro: "Uma melhor maneirar de viver (Regra Número 17)" Você deve dar-se conta de que a verdadeira felicidade está dentro de você mesmo. Não há que desperdiçar tempo nem esforço em buscar a paz, a alegria e o gozo no mundo externo. Há que ter presente que não existe felicidade em ter ou obter, mas unicamente em dar. É necessário dar, compartilhar, sorrir. A felicidade é um perfume que não se pode servir aos demais sem que umas quantas gotas caiam em você mesmo. Bem, vamos à lição. 

LIÇÃO 26 - INCONVENIENTES DE JOGAR SEM ROQUE. 

Vamos continuar com o tema do roque. Vocês já viram em lições anteriores as debilidades e inconvenientes que pode ter um roque. Bem, então alguém poderia pensar "se o roque apresenta tanto benefícios como dificuldades, melhor será prescindir dele e, jogando sem roque, se solucionaria tudo". Isso é aparente. NÃO ROCAR É PIOR QUE TER UM ROQUE DEBILITADO. É MELHOR ROCAR DO QUE FICAR COM O REI "BAILANDO" NO CENTRO DO TABULEIRO

Na partida que hoje lhes trago, o jogador que conduzia as negras manteve esse "status-quo"; não rocou. Primeiro porque não deixaram, depois porque não quis, acreditando que com isso ganhava tempo e espaço. DEVE-SE ROCAR SEMPRE; DO LADO MELHOR OU DO LADO PIOR; ISSO É PREFERÍVEL A JOGAR SEM ROQUE. SOMENTE QUANDO AS DAMAS TIVEREM SIDO TROCADAS PODE-SE JOGAR SEM ROQUE, PORQUE EM TAIS CASOS O REI É NECESSÁRIO COMO PEÇA PARA O FINAL E CONVÉM TÊ-LO PERTO DOS PONTOS DE COMBATE. PORÉM, ENQUANTO HOUVER DAMAS NO TABULEIRO, NÃO SE DEVE DEIXAR DE FAZER O ROQUE

Esta partida que veremos foi jogada no Torneio de Londres de 1940, durante a guerra. Dita competição foi vencida por Sir George Thomas. Seu oponente nesta partida foi um jogador novo nestas lides. As negras elegeram uma Defesa Siciliana. A propósito: há algo que quero esclarecer a respeito desta Defesa, porque algumas perguntas me tem sido formuladas. Eu disse em minhas lições que a Defesa Siciliana é uma das muitas defesas possíveis que se pode opor a 1.e4. Não quer isso significar que quem a jogue ganhe ou perca a partida; é uma defesa como qualquer outra. O que eu disse em certa oportunidade é que "é jogável". Se o adversário não é um "fenômeno" e sobretudo se não está "em dia" com as últimas novidades no xadrez. Se bem que hoje existam variantes em que aparentemente as brancas conseguem mas iniciativa, é muito difícil conhecer todas essas variantes e, ao jogar a Defesa Siciliana contra um jogador "frouxo", é possível que não saiba responder com o lance exato. 

 

BRANCAS: G. THOMAS 

NEGRAS: R. MORRIS

Defesa Siciliana 

1.e4 c5 2.Cf3 d6

(O exato seria 2...Cc6 disputando as casas d4 e e5. Esta é uma das muitas formas de responder, em que se renuncia à disputa das casas centrais, buscando outro plano.)

3.Bb5+

A jogada de Thomas é de efeito psicológico. Esse xeque compromete seu próprio bispo. O negro pode cobrir com o cavalo ou com o bispo e o bispo branco deve ser trocado, ou retirado, com o que não se ganha nada. (Agora o exato seria 3.d4 provocando a troca dos peões e entrando na variante vulgar e conhecida.)

3...Bd7

Não é o correto. (Melhor seria 3...Cc6 Se as brancas trocam 4.Bxc6+ o negro estaria "encantado da vida". E se não trocam, o cavalo negro já dominaria as casas d4 e e5.)

As brancas responderam com outra jogada, que é lógica em relação a que acabam de fazer; preferem defender seu bispo desde longe. 

 

4.De2

Com esta jogada, o branco mantém a pressão e depois trocará, se entender necessário. (Claro que se 4.Bxd7+ teria seguido 4...Cxd7 desenvolvendo este cavalo.)

4...Cc6

Agora o negro fez o que deveria ter feito antes, devido ao fato de as brancas não terem trocado os bispos.

Alguns de vocês opinariam que teria sido melhor para as brancas trocar os bispos, porque se trocaria o bispo "bom" das negras pelo bispo "mau" das brancas. Vamos esclarecer: SOMENTE HÁ "BISPO MAU" e "BISPO BOM" QUANDO JÁ EXISTEM PEÕES FIXOS. Neste caso, há peões fixos? Não; podem mover-se. Por enquanto, não há "bispo mau" nem "bom". Outra coisa: QUANDO O ROQUE ESTÁ PREPARADO, NÃO SE DEVE PERDER TEMPO ANTES DE EFETUÁ-LO. 

 

5.O-O g6

Esta jogada é feita comumente em outras variantes da Defesa Siciliana. (O lógico era 5...e6 para seguir desenvolvendo-se com Be7, Cf6, e fazer o roque pequeno.) (Não teria sido bom 5...e5 por que fixa os peões centrais e, então sim, haveria bispos maus e bons.)

As brancas estão com o roque feito, enquanto que o negro ainda não desenvolveu seu flanco rei, nem efetuou o roque. Como poderia evitar-se esse desenvolvimento e esse roque? 

 

6.e5

Com isso, crava-se o peão do rei negro e se ameaça 7.exd6.

6...d5

O melhor. Porém, observemos que esse peão foi movido duas vezes, ou seja, o branco tem um tempo a mais (além da vantagem da abertura). Quanto ao desenvolvimento, as negras só saíram com duas peças, enquanto as brancas têm três peças desenvolvidas e o roque feito. Há, pois, vantagem para o branco. (Porem, se as negras respondessem 6...dxe5 viria 7.Cxe5 Cxe5 8.Dxe5 ameaçando a torre de h8; Se continuassem com 8...Cf6 cai o peão negro de c5.) (O mesmo aconteceria com 6...Cxe5 e sempre as brancas ganham um peão.)

7.d4!

Sacrifica um peão para ganhar mais tempo.

7...cxd4

Ganham um peão, mas é um peão dobrado que à longo prazo deve cair. Além disso, sempre existe a possibilidade de tirar-se a defesa desse peão com BxC. Porém, seguindo sua idéia, Thomas incita o outro a que fique com esse peão de vantagem:

8.c4! dxc3 9.Cxc3

Outra peça em jogo, contra o escasso desenvolvimento das negras. Ataca-se o peão de d5 e as negras deverão perder outro tempo em sustentá-lo. Em troca pelo peão perdido, vemos que todas as peças brancas jogam para onde queiram, enquanto que as do negro estão imobilizadas devido aos tempos perdidos em tomar peões. Se em qualquer gambito entregam-se peões para facilitar o desenvolvimento das peças, e isso costuma dar bom resultado, aqui, com o roque feito, tem que ser muito melhor. Agora as negras devem defender seu peão de vantagem contra "ventos e marés".

9...e6

Deixa pontos fracos por onde podem infiltrar-se as peças contrárias. O peão branco de e5 tem duas fortes casas a sua disposição: f6 e d6. Thomas começa a aproveitá-las.

10.Bg5

Ameaça exatamente a dama. Com que cobrir? Se põe um cavalo em e7, corta a vigilância que o bispo negro poderá obter em d6. Será melhor:

10...Be7

Agora, que há peões fixos, existem bispos maus e bons. De passagem, observemos que o bispo dama negro, que antes supúnhamos "bom", agora é o "mau", enquanto que o bispo rei, que antes parecia "mau", agora é o "bom". Fica demonstrado que NO INÍCIO DA PARTIDA E ENQUANTO NÃO HAJA PEÕES FIXOS NÃO SE PODE FALAR DE BISPOS MAUS NEM BONS. Bem, sai ganhando o branco se troca seu bispo mau pelo bom do adversário? Sim. Porém, ÀS VEZES SE IMPÕE O CONCEITO POSICIONAL AO CONCEITO ESTRATÉGICO; neste caso, não convém a troca. Se 11.Bxe7, esta se converte em uma partida estratégica, onde o branco deverá fazer valer essa pequena vantagem à longo prazo. Aqui, vale muito mais manter o rei negro sem roque. O branco tem um peão a menos, de maneira que não seria fácil ganhar. É preferível perder um tempo, mas ter o cavalo de g8 "engarrafado", o que por sua vez impede o roque.

11.Be3 h5

Dá um ponto de apoio ao cavalo do rei negro em h6. Com isso, o tempo de ida e volta do bispo dama branco fica compensado. E com esses peões avançados do flanco rei rocar por esse lado seria um suicídio.

12.Ca4

(para ir a c5.)

12...Ch6

(Se possível, para ir a f5.);

13.Cc5 Bxc5

Era necessário trocar. Esse cavalo complicava as coisas e ameaçava tomar o bispo e o peão de b7. Porém, isso traz o inconveniente de que as brancas, ao retomar com seu bispo, impedem o roque curto do contrário.

14.Bxc5 Cf5

O negro pensa: " Já que não posso rocar, pelo menos me instalo com um cavalo em f5 e vamos ver como me tiram dali". Busca outras combinações a base do avanço de peões no flanco rei para debilitar o roque das brancas. O peão branco de e5 ainda não pode ser capturado. (Se 14...Cxe5 teria seguido 15.Cxe5 etc.)

Thomas ocupa a linha aberta c1-c8. 

 

15.Tac1 g5

Ameaça expulsar o cavalo de f3 com g4 para atuar sobre o roque que, como sabemos, será fraco quando o cavalo sair.

16.Bxc6

Troca um de seus bispos por um cavalo. Sabemos que isso não é muito conveniente desde o ponto de vista estratégico. Porém, Thomas não quer ter uma partida estratégica. Não quer a pequena vantagem do par de bispos, mas deseja ganhar por combinação. Um jogador do tipo Jacobo Bolbochan teria preferido manter a vantagem dos dois bispos; por outro lado, um jogador como Pleci teria procedido igual a Thomas, para ganhar por combinação. São distintas formas de jogar e distintos temperamentos.

16...Bxc6 17.Cd4

 

Diagrama 1



Diante do próximo avanço do peão g5 negro, expulsando o cavalo, as brancas pensaram: "antes que me expulsem, me vou". E vai a uma casa de onde possa ser trocado pelo bispo ou pelo cavalo negro. Bem, chegamos ao momento que interessa para esta lição. Devem jogar as negras. Não podem fazer o roque pequeno porque o bispo branco o impede. Paciência. Mas poderiam fazer o roque grande! Bastaria levar a dama à casa d7 e logo jogar 0-0-0.

17...Rd7

(Se no momento em que as negras fizessem 17...Dd7 as brancas respondessem 18.Cxf5 exf5 e ficariam três peões unidos no flanco rei, que incidiriam fortemente sobre o roque branco.)

Claro que esse roque não seria muito bom porque o rei negro estaria na coluna "c" aberta, na qual as brancas já têm uma torre. Diante desse dilema, seguramente o negro pensou: "se até agora joguei sem roque e o oponente não pode romper minha defesa, talvez seja possível prescindir dele." E, por isso, jogou 17...Rd7. E se meteu em uma dessas posições estilo Nimzovitsch. Voluntariamente, o negro renuncia ao roque e supõe que seu rei está em posição inexpugnável. A idéia é que se as brancas continuam 18.Cxf5, segue exf5 e logo o rei se mete na casa e6, onde parece que estaria salvo. Esse é o projeto. Logo veremos a realidade.

 

18.Cxf5 exf5

As previsões do negro vão se cumprindo. Porém, agora cabe jogar ao branco. Como impede que o rei negro entre na casa e6? É um pouco difícil, mas Thomas encontra a solução sacrificando outro peão.

19.e6+ fxe6

As negras desdobram seu peões. Mas seu rei já está em posição incômoda; e com os peões de tal forma que permitem a entrada das peças contrárias. As brancas começam por centralizar sua dama.

20.De5

Ameaça dois xeques: um em d6 e outro em g7. Além disso, o rei negro deve continuar sustentando seu peão de e6. Podem as negras impedir tudo?

As negras optam por defender dois peões com uma só jogada, mas não poderão evitar um dos xeques. 

 

20...Dg8

(Se 20...De8 segue 21.Dg7+ e logo 22.Dxg5, etc.)

21.Dd6+ Rc8

O rei começa a dançar, e deve colocar-se na mesma coluna onde o branco tem uma torre. (Se tivesse respondido 21...Re8 seguiria mate com 22.De7#)

Agora, thomas começa a "trabalhar" o peão negro de e6. Observemos que o branco passeia com suas peças pelo tabuleiro, enquanto o rei negro está fugindo do mate que se lhe avizinha. 

 

22.Tfe1 Th6

Era a única para defender o peão de e6. (Se 22...Bd7 23.Bb6+ xeque descoberto de torre e mate na outra.)

Bem, e agora? Como se ganha? Há 7 peões negros contra 5 peões brancos; bispos de cores opostas e igualdade nas demais peças. É NECESSÁRIO GANHAR POR ATAQUE. COM UM JOGO PURAMENTE ESTRATÉGICO SERIA IMPOSSÍVEL GANHAR COM DOIS PEÕES A MENOS. Thomas encontra a solução: 

 

23.Bb6

Este lance ganha no ato. Ameaça sacrificar duas peças.

23...Th7

Com isso, evita-se momentaneamente o mate. 

 

(Se 23...axb6 segue 24.Txc6+ bxc6 (Única.) 25.Dxc6+ Ameaçando a torre de a8. 25...Rb8

(Se 25...Rd8 26.Dxa8+ E depois ganha a dama.) 26.Dxb6+ Rc8 27.Tc1+ Seguido de mate porque se 27...Rd7 28.Tc7+ A 28...Rd8

(E se 28...Re8 29.Dc6+ Rf8 30.Dxa8#

(Ou 30.Dd6+ Re8 31.De7#)) 29.Dd6+ Re8 30.De7#) (Se não toma o bispo e joga 23...Df7 seguiria 24.Dd8#)

 

Diagrama 2


24.Txc6+ bxc6 25.Dxc6+ Rb8

O rei negro está encerrado. E neste tipo de posição, em que a torre de a8 impede que o rei escape, é fácil encontrar o mate.

26.Bd4 a6

(Abre uma janela.)

27.Db6+ Tb7

(Se 27...Rc8 28.Tc1+ Tc7

(Se 28...Rd7 29.Tc7+ Re8 30.Dc6+ Rf8 31.Bc5+ Te7 32.Dxa8+ Rf7 33.Txe7+ Rf6 34.Dxg8 etc.) 29.Dxc7#)

28.Be5+ Rc8

(Única.)

29.Tc1+

E as negras abandonam.

Poderia seguir 29...Rd7 30.Dxb7+ Re8 31.Dxa8+ Rf7 32.Tc7+ Rg6 33.Dxg8+ Rh6 34.Dg7#



Conclusão: 

 

Vimos claramente os inconvenientes do plano que nasceu com 17...Rd7. As brancas sacrificaram peões, tomaram linhas abertas, deram xeques, fizeram o rei dançar, etc. Com o roque grande, também teriam perdido, mas não assim. Repito: JOGAR SEM ROQUE É PIOR QUE TER UM ROQUE MAU. ENQUANTO HAJA DAMAS NO TABULEIRO, É NECESSÁRIO ROCAR. SOMENTE SE AS DAMAS TENHAM DESAPARECIDO PODE-SE JOGAR SEM ROQUE

 

Bem, amigos, finalizamos esta lição. E lamentavelmente meu país segue convulsionado. Os oligarcas poderosos e neo-liberais não querem entender que este governo é do povo e para o povo; que foi quem o elegeu. Estou e estarei sempre com a Revolução Bolivariana, aconteça o que acontecer. 1-0

TRANSCRIÇÃO feita pelo Professor ERICH GONZALEZ, da Cidade de Maracaibo, estado Zulia. Venezuela LIÇÕES DO Dr. RAFAEL BESANDON, BASEADOS EM APONTAMENTOS TOMADOS PELO ALUNO ERNESTO CARRANZA.

Prof.: Erich Gonzalez e - mail: edgonzal@luz.ve

Tradução: Elias Muniz

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Os diagramas desta página foram feitos com o programa Chesstool 
de Guillermo Gajate.