Este tipo de combinação é muito usada no xadrez artístico (de composição), onde encontramos os mais bonitos exemplos, mas aparece muitas vezes também no jogo prático.
Na sua forma mais elegante a combinação constitui-se em sacrificar uma peça numa determinada casa onde convergem duas linhas de ação de peças adversárias distintas. Qualquer uma dessas peças, tomando a peça sacrificada, interrompe a linha de ação de defesa sobre outro ponto do tabuleiro.

A posição do diagrama representa uma grande composição do renomeado problemista A. Troitzk com a qual ele ganhou um concurso internacional de composição artística. O tema deste final é exatamente a interferência de linhas de ação das peças adversárias; isso feito com grande elegância, produzindo uma impressão estética excepcional. As brancas não podem impedir coroação do peão preto de e2. As suas chances de vitória se baseiam nos seus dois peões passados avançados. No começo, as brancas vão efetuar uma manobra de introdução onde as peças pretas serão obrigadas a ocupar uma posição desfavorável tendo em vista a combinação conclusiva. 1.Cc3 e1=D 2. g7 Dg1 3. a7 exd3 4. Bg2! (lance que dá início à combinação propriamente dita) percebe-se a interferência do bispo branco nas linhas de defesa da dama preta sobre o ponto g8 e do bispo preto sobre o ponto a8. 4...Dd4+ (única tentativa das pretas para evitar a coroação de um dos peões, pois se 4...Bxg2 5.g8=D e se 4...Dxg2 5.a8=D Dxa8 6.g8=D e ganham) 5. Rb5 Db4+ 6. Ra6 Dc4+ 7.Rb6 Bxg2. As pretas conseguiram restabelecer o controle sobre os dois pontos críticos de coroação dos peões brancos. Se as pretas jogassem, ao invés de seu último lance, 7...Db4+ seguiria 8.Cb5 e as pretas não mais teriam como impedir as coroações. 8.Cd5!!. As brancas sacrificam sua última peça para conseguir nova interferência nas linhas de ação das peças e as pretas não dispõem mais de nenhum recurso defensivo. Elas se vêm forçadas a tomar o cavalo de d5, porém isso as leva a derrota. Se 8...Bxd5 9.g8=D+ Bxg8 10.a8=D++ ou 8...Dxd5 9.a8=D+ Dxa8 10.g8=D++.

O grande compositor de problemas Sam Loyd, que viveu na metade do século passado, era também um forte jogador na prática. Muitas vezes aplicou idéias de composições nas suas partidas. Um desses casos representa o exemplo acima onde ele enfrenta um forte jogador da época C. Moore. Analisando a posição do diagrama percebemos que as brancas poderiam dar mate com 1.Chg6 se o bispo de c8 não atacasse a torre, ou com Cf5+ se a torre preta não pudesse interferir em h6. As linhas de ação dessas duas peças pretas se encontram sobre o ponto e6 e isso torna possível a clássica combinação baseada em interferência. 1.De6!! e as pretas abandonaram, pois indiferentemente de que peça seja tomada a dama o mate é inevitável, por exemplo: se Txe6 ou Cxe6 seguiria 2. Chg6+ Rg8 3.Th8++ e se Bxe6 então 2.Cf5+ Rg8 3.Ce7+ Rf8 4.C7g6+ Re8 5.Th8+ Bg8 6.Txg8++.
Apesar de encontrarmos menos estatísticas falando de exemplos de interferência na prática do que os outros dois elementos estudados até agora, a atenção para com este capítulo se faz necessária pois, além do elemento prático, o elemento estético se encontra com predominância.

Na posição do diagrama acima, relativo a uma partida entre Kirilov e Vatnikov, em Vilnius 1949 as brancas poderiam dar mate com Bg8 se a dama preta não defendesse a dita casa. Daqui resulta a idéia da combinação: 1.Te8! agora se 1...Bxe8, 2.Bg8++ e se 1...Dxe8 segue 2.Bxe8 Bxe8 3.De6 Ba4 4.Dxf5 Tb8 5.Ce5+ desc. Rg8 6.De6+ Rh7 7.Dxd6 ganhando.

Apresentamos outro exemplo de rara beleza no diagrama acima. A partida disputada em Nova York, no ano de 1938, ilustra nosso tema de 3 maneiras diferentes. 1.d5!! agora se 1...Txd5 2.Dxf7+, e caso 1...Dxd5 2.Td4, ganhando uma torre e ainda se 1...cxd5; 2) e6! que é o teor da combinação. Na partida seguiu 1...Tb7 2. dxc6 Tb8 3.c4 e as brancas ganharam sem problemas.
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